2006/06/02

Plano Nacional de Leitura no "Público"

"Alunos da pré-primária e 1º ciclo vão ler uma hora por dia na aula

O Governo definiu um período exacto e obrigatório para as crianças lerem na sala de aula. O Plano Nacional de Leitura foi aprovado ontem em Conselho de Ministros e apresentado por três ministros. A leitura é uma "prioridade política". E "treina-se" - como nadar ou andar de bicicleta. Por Isabel Salema

No próximo ano lectivo, os alunos da pré-primária e do 1º ciclo vão passar a ler livros, todos os dias, durante uma hora, na sala de aula. Os mais velhos, do 2º ciclo, também vão ter um período obrigatório só para ler - uma vez por semana, 45 minutos.
São três propostas do Plano Nacional de Leitura, aprovado ontem em Conselho de Ministros, e segundo explicou a sua comissária, a escritora e professora Isabel Alçada, "é a sua parte de leão".
Por ser uma "prioridade política" e "desígnio nacional", o Plano Nacional de Leitura foi apresentado, em conferência de imprensa, na Biblioteca da Ajuda, em Lisboa, por três ministros: da Educação, da Cultura e dos Assuntos Parlamentares. A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, disse que é "ambição" do Governo que essa prioridade política "se torne prioridade de toda a sociedade portuguesa".
O plano "surge num encadeado já longo de medidas políticas, num esforço persistente do país", disse a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que tem a responsabilidade do plano em articulação com os outros dois ministérios. Em 2007, lembrou, a rede de bibliotecas municipais faz 20 anos e a rede de bibliotecas escolares tem 10. O plano quer "tirar partido destas infra-estruturas e acrescentar dinâmicas", continuou. Foi, aliás, pedido "pelas próprias pessoas que trabalham no terreno".
Porque é que ler na sala de aula é tão importante? Porque, sublinhou a ministra da Educação, "as competências em leitura são decisivas para o sucesso escolar" e têm de ser adquiridas "de forma segura". E daí, justificou, "o foco nas idades iniciais".

Leitura orientada
"Pedimos uma hora diária de leitura orientada, o que significa que as crianças tenham também um livro por onde sigam o professor. Um livro para cada um, ou um para cada dois", explicou Isabel Alçada, professora na Escola Superior de Educação e autora de livros infanto-juvenis (ver caixa). "Não é só ouvir ler. O professor assegura que o livro é mesmo lido, porque o faz na sala de aula", continua, acrescentando que no pré-escolar é importante que as crianças observem o livro, as ilustrações, mas também o texto.
Teresa Calçada, vice-comissária do plano e coordenadora do Gabinete da Rede das Bibliotecas Escolares, diz que foi feito "um trabalho fantástico" com a rede, que no final de 2006 deverá ter cerca de 1800 bibliotecas, mas é preciso dar o passo seguinte. "Assegurar que os livros entram no quotidiano da sala de aula", afirma Isabel Alçada, criando hábitos de leitura o mais cedo possível. "Porque a leitura treina-se, é performativa, é como nadar ou andar de bicicleta."
Segundo a ministra da Educação, nas próximas semanas, o Governo vai enviar às escolas orientações sobre a concretização do programa do 1º ciclo na sala de aula. Aí, estará integrada a hora diária dedicada à leitura, que aparecerá no tempo atribuído ao Português curricular. No caso do 2º ciclo, os 45 minutos aparecerão na disciplina de Português, disse Isabel Alçada.

Listas de 600 livros sai em breve
O site do plano, que deverá estar disponível daqui a um mês, vai pôr à disposição dos professores várias listas com cerca de 600 livros, organizadas por níveis de dificuldade, para os diferentes anos de escolaridade. Há 18 níveis entre o 1º e o 6º ano, com três por ano, e um nível para o pré-escolar. "São quase 600 livros e vão estar sempre a ser actualizados. É para estimular a progressão, para os professores terem um quadro e poderem escolher com apoio", diz Isabel Alçada. "Não vamos dar nenhuma receita", diz Teresa Calçada. "É um conjunto de possibilidades de trabalho. Vamos dar um quadro de referência que permita escolher e inventar", afirma Alçada.
Estes livros, dizem ambas, vão começar a ser fornecidos às escolas. "Há meios para equipar as escolas com livros para a leitura orientada", diz Teresa Alçada. Há também listas com sugestões para os pais, porque o plano quer chegar à família.
Maria de Lurdes Rodrigues esclareceu que na primeira fase de arranque do plano está previsto um investimento entre um e dois milhões de euros para as solicitações das escolas. "Precisávamos de muito mais, do triplo", disse a ministra que, juntamente com as comissárias, tem a expectativa de encontrar mecenas e patrocínios para o plano.
O plano tem várias outras medidas, tendo esclarecido a ministra da Cultura que no âmbito do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB) está previsto um reforço das acções de promoção da leitura, como o Programa de Itinerâncias Culturais que anima as bibliotecas públicas. Essa maior "densidade" vai significar um investimento de 400 mil euros em 2007.
José Manuel Cortez, que foi destacado do IPLB para trabalhar no plano, diz que um dos objectivos "é tentar estabelecer no terreno, com competências definidas, uma rede de promotores e animadores da leitura", em articulação com o Ministério da Educação.
A comissão do Plano Nacional de Leitura vai funcionar no Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares, do Ministério da Educação. "A comissão coordena os serviços dos três ministérios", explica Isabel Alçada. Os serviços são o Gabinete da Rede das Bibliotecas Escolares, o IPLB e o Instituto da Comunicação Social. Nesta estrutura, além de Isabel Alçada, vão trabalhar Teresa Calçada (Rede de Bibliotecas Escolares), Teresa Gil, José Manuel Cortez, também do IPLB, e Alexandra Lorena, do Instituto de Comunicação.
O sonho desta equipa é que surjam em Portugal associações e ONG dedicadas à promoção da leitura. E deixam uma pergunta: porque é que os pais não se associam e compram vários livros iguais e os oferecem às escolas?

A "comissária da leitura"


A comissária do Plano Nacional de Leitura, Isabel Alçada, 56 anos, tornou-se conhecida do grande público através da colecção infanto-juvenil Uma Aventura, assinada em parceria com Ana Maria Magalhães, desde 1982 (48 títulos). Com um mestrado em Análise Social da Educação na Universidade de Boston (EUA), preparou o doutoramento na Universidade de Liège (Bélgica). Leccionou Português e História no 2.º ciclo do ensino básico (1975 a 1984) e participou activamente na Reforma do Ensino Secundário em 1975/76. É professora na Escola Superior de Educação de Lisboa. R.P.


A criadora da rede das bibliotecas escolares


Teresa Calçada, 53 anos, a vice-comissária do plano, é coordenadora do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares no Ministério da Educação, onde fica a funcionar a estrutura do Plano Nacional de Leitura. Foi convidada em 1996 para criar uma rede de bibliotecas escolares. Vinha da vice-presidência do Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, onde fez parte do grupo de trabalho que levou à criação da rede de bibliotecas municipais. I.S.


22% dos alunos portugueses só dominam competências básicas da leitura

Os resultados globais não são tão maus quanto na Matemática, mas em relação à leitura são muitos os alunos portugueses de 15 anos que só têm o mais elementar nível de competências, concluiu a última edição (2003) do Programme for International Student Assessment (PISA), o maior estudo internacional sobre o desempenho educativo dos jovens, feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), e citado no relatório do Plano Nacional de Leitura apresentado ontem. Aplicados os testes, verificou-se que 22 por cento dos alunos fica pelo nível 1 (numa escala até 5), o que significa que esses estudantes não têm as capacidades mais básicas que o PISA quer medir ou se ficam pelas tarefas elementares, como reconhecer o tema principal do texto. O desempenho médio só não é pior por causa das raparigas. Quase 30 por cento dos rapazes não vão além do nível 1. Com as raparigas acontece com 15 por cento. Grécia, Itália e Espanha também têm resultados preocupantes. Isabel Leiria


Saramago diz que estímulo à leitura é "inútil"

Lusa

O prémio Nobel da Literatura José Saramago questionou a utilidade de o Estado estimular a leitura e disse que o "voluntarismo não vale a pena, é inútil" numa área que "sempre foi e será coisa de uma minoria", disse quarta-feira à noite num debate na Biblioteca Municipal de Oeiras. "Não vamos exigir a todo o mundo a paixão pela leitura." Saramago disse desconhecer o conteúdo do Plano Nacional de Leitura (PNL), de cuja comissão de honra faz parte (com mais 100 pessoas) por ser "uma fatalidade, como as bexigas", por causa do Nobel. Sobre o PNL disse apenas que "há dinheiro para gastar", mas resta "esperar para ver que resultados". "O estímulo à leitura é uma coisa estranha, não deveria ter que haver outro estímulo além da necessidade de um instrumento que permita conhecer." "Mal vão as coisas quando é preciso estimular", defendeu, contrapondo que "ninguém precisa de estímulos para se entusiasmar com o futebol". Ontem, a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, disse: "Discordo e acho que Saramago está a falar de um qualquer plano de leitura e não deste." Mais tarde, disse: "Estamos certos que [Saramago] vai colaborar."


Livros gratuitos para todos os bebés britânicos


Cerca de 90 por cento das crianças que nascem na Grã-Bretanha recebem hoje, gratuitamente, um conjunto de livros infantis. O programa Bookstart, iniciativa nacional da organização independente de solidariedade Booktrust, consiste em dar a cada bebé nascido no país livros que estimulem as suas capacidades de leitura e aprendizagem da língua e guias orientadores de leitura para os pais e tutores. O projecto, único no mundo, liga a família, as bibliotecas e os serviços de saúde: os livros são entregues na consulta dos 7-9 meses da criança, com informação sobre as actividades da biblioteca local. Além do primeiro conjunto de livros (Bookstart), a Booktrust tem outros programas: o Bookstart Plus, para crianças a partir dos 18 meses, o My Bookstart Treasure Chest, para crianças a partir dos 3 anos. O Bookstar Rhymetimes, organizado por maternidades e bibliotecas, cria jogos com rimas, música e ritmo. Para crianças cegas e com problemas de visão até aos 4 anos, esta organização de Londres criou o Booktouch, para criar uma ligação física com os livros. Este conjunto traz, além dos livros, informação sobre como incentivar a leitura nestas crianças. As actividades e distribuição dos livros são feitas localmente, com a colaboração da biblioteca e estruturas locais de educação e saúde. Inês Calado Saraiva"

2006/04/15

I Jornadas Hispano-Lusas "Libros y lectores para un nuevo milenio"

I Jornadas Hispano-Lusas "Libros y lectores para un nuevo milenio"

FACULTAD DE BIBLIOTECONOMÍA Y DOCUMENTACIÓN UNIVERSIDAD DE EXTREMADURA

BADAJOZ, 24 y 25 de ABRIL 2006

PATROCINA

CONSEJERÍA DE CULTURA DE LA JUNTA DE EXTREMADURA

DIPUTACIÓN DE BADAJOZ

BIBLIOTECA DE EXTREMADURA

COLABORAN:

ASOCIACIÓN ESPAÑOLA DE LECTURA Y ESCRITURA

CEPLI (CENTRO DE PROMOCIÓN DE LA LECTURA DE LA UNIVERSIDAD DE CASTILLA LA MANCHA)-

FUNDACIÓN GERMÁN SÁNCHEZ RUIPÉREZ

PROGRAMA CIENTÍFICO

A. PRESENTACIÓN

El objetivo principal de este curso es diseñar una serie de medidas de fomento que faciliten la consolidación de hábitos de lectura. Se trata de establecer programas que ayuden a lograr los niveles de lectura de calidad en las bibliotecas públicas, bibliotecas escolares y otros espacios de cultura. Para ello se reflexionará sobre los distintos aspectos que configuran los servicios y actuaciones de los centros mencionados a la luz de los cambios que están aconteciendo en nuestras sociedades. Y esto nos obligaría a reformular, al menos conceptualmente, la animación a la lectura como animación a la información, la promoción y desarrollo de los hábitos lectores como promoción en el uso autónomo de la información, ya sea para satisfacer inquietudes culturales, profesionales, formativas o por mera curiosidad recreativa.

Hay que subrayar, pues, la importancia de la formación del profesor/bibliotecario en técnicas de organización y uso de bibliotecas escolares, en animación a la lectura y en el conocimiento básico de la literatura infantil y juvenil. Por otro lado, es dentro del aula y la biblioteca escolar donde el niño o el joven aprende a leer, donde descubre la lectura y donde tiene la posibilidad de desarrollarla. También se verá la necesidad de que exista una estrecha colaboración entre las instituciones (bibliotecas, ludotecas....), las familias y los colectivos directamente o indirectamente interesados en el desarrollo y extensión de hábitos lectores con el fin de articular estrategias conjuntas. Esta implicación se hace imprescindible como fuente generadora de ideas y como canalizadores de esfuerzos mancomunados.

Con el fin de materializar los objetivos mencionados, se establece un plan de formación que favorezca el establecimiento de políticas específicas de animación o fomento de la lectura según las demandas y características sociales, culturales, educativas y económicas con las que se cuente en cada caso.

B. OBJETIVOS

1. Extraer criterios de utilidad para la selección de estrategias que provoquen un aumento del hábito lector, tanto en el ámbito educativo como en el bibliotecario.

2. Proponer soluciones o sugerencias para el correcto aprovechamiento de los recursos como herramientas para crear un hábito lector.

3. Subrayar la importancia de las TIC en las bibliotecas y la lectura, así como los nuevos papales que les está asignado la sociedad y sus repercusiones en la promoción, el fomento y la mejora de hábitos lectores de la población.

4. Fomentar el uso de la lectura recreativa apartándola de la estrecha óptica del aprendizaje, la instrumentalización y los controles para que así se pueda ir alimentando una afición lectora.

5. Estimular los procesos de comprensión y de curiosidad a través de la lectura mediante estímulos progresivos que hagan aumentar el nivel cultural y el nivel lector de las personas.

6. Crear estrategias que ayuden a los mediadores de lectura a orientar y conocer los gustos lectores para así provocar el cruce entre la lectura y los potenciales lectores.


C. BLOQUES DE CONTENIDOS

Día 24 de ABRIL

10,00 horas Conferencia inaugural: Excmo. Sr. Consejero de Cultura,

D. Francisco Muñoz Ramírez

12,00 Literatura infantil y mediación lectora. La biblioteca como ámbito de animación a la lectura”. Pedro CERRILLO. Catedrático de UCLM y director del CEPLI, Centro de Promoción de la Lectura y la Literatura Infantil.

13,00 Lecturas por edades, Santiago YUBERO, Profesor Titular UCLM, CEPLI, Centro de Promoción de la Lectura y la Literatura Infantil.

TARDE

16,00 Literatura, lenguaje e infancia. Dr. Fernando FRAGA DE AZEVEDO, Instituto de Estudos da Criança, Universidad do Minho.

18, 00 Presentación de la Revista Puertas a la Lectura Monográfico “Lectura y Medios de Comunicación: Dª Inmaculada BONILLA, Diputada Cultura Diputación Badajoz, D. Agustín Vivas, Coordinador Monográfico, D. Eloy MARTOS, Director de la Revista.

19,30 Taller de Lectura y Escritura Dª Beatriz Osés, Profesora IES y Premio Giner de los Ríos.

DÍA 25 DE ABRIL

10,00 horas La investigación científica: investigar para leer. Leer para investigar. Dr. José López Yepes, Catedrático Univ. Complutense.

12,00 La biblioteca infantil y juvenil como espacio de promoción de lectura y dinamización cultural. Dr. Luis M. Cencerrado Coordinador del Centro de Documentación. Centro Internacional del Libro Infantil y Juvenil. Fundación Germán Sánchez Ruipérez.

13, 30 Mesa redonda: El fomento de la lectura: situación y perspectivas Dª Estela D´Angelo, Presidenta de AELE; D. Luis Sáez Delgado, Coordinador Plan Fomento de la Lectura - Consejería de Cultura; D. Justo Vila, Director Biblioteca de Extremadura; Dª Maria do Sameiro PEDRO, Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Beja; Coordina: D. Ángel Suárez, Seminario de Lectura UEx.

D. ACTIVIDADES PARALELAS

EXPOSICIÓN INTERACTIVA E ITINERANTE DE POEMAS FOTOGRAFIADOS, AELE

Contenidos: véase http://www.asociacionaele.org/aele/inicio.php?menu=5

PRESENTACION DEL LIBRO “LOS HIJOS DEL DRAGÓN”, LUCÍA GONZÁLEZ


COORDINACIÓN DE LAS JORNADAS

Dr. D. Agustín Vivas, Facultad de Biblioteconomía y Documentación

Dr. D. Eloy Martos Núñez, Facultad de Biblioteconomía y Documentación

COMITÉ ORGANIZADOR

Dr. Pedro L. Lorenzo Cadalso, Prof. Titular Universidad y Decano Facultad de Biblioteconomía

Dr. D. Agustín Vivas, Prof. Titular Univ. y Vicedecano, Facultad de Biblioteconomía y Documentación

Dr. D. Eloy Martos Núñez, Catedrático E.U. Didáctica Lengua y Literatura, Facultad de Biblioteconomía y Documentación

Dr.D. Antonio Muñoz Cañabate Vera, Prof. Titular Univ. y Vicedecano Facultad de Biblioteconomía y Documentación

COMITÉ CIENTÍFICO

Dr. D. José López Yepes, Catedrático Univ. Complutense

Dr. D. Pedro CERRILLO, Catedrático Didáctica de la Lengua de la UCLM y director CEPLI

Dra. Estela D´Angelo, Presidenta de AELE, Universidad Complutense

Dr. D. Ángel Suárez Muñoz, Prof. Titular Universidad de Extremadura

Dr. Fernando FRAGA DE AZEVEDO, Instituto de Estudos da Criança, Universidad do Minho

Dr. L.M. CENCERRADO MALMIERCA , Coordinador del Centro de Documentación e Investigación de Literatura Infantil y Juvenil, Fundación Germán Sánchez Ruipérez

Dª Maria do Sameiro Pedro, Prof. Adjunta da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Beja­ – Portugal­.

2006/03/31

"Pijama às Letras" na Biblioteca Municipal de Carnaxide

Jantar de Contos de Fadas
Ementa

  • Creme de Ervilhas

Era uma vez um príncipe que queria casar com uma princesa. Mas não podia ser uma princesa qualquer! Não! Tinha que ser uma princesa digna de um conto de fadas! E para isso o príncipe correu o mundo em busca da princesa perfeita, mas acabou por voltar para casa, triste, e sem a ter encontrado.

Até que um dia, no meio de uma valente tempestade, alguém bateu à porta do palácio. Curiosa, a velha rainha foi logo ver quem era, e encontrou, para seu grande espanto, uma jovem que dizia ser uma princesa que se tinha perdido na floresta. As suas roupas estavam rasgadas, escorria água dos seus longos cabelos e os sapatos estavam ensopados. Nenhuma princesa verdadeira se apresentaria no palácio daquela forma!

Mas a rainha, que era mais esperta, resolveu fazer-lhe um teste. Convidou-a a passar a noite no palácio, e foi ela mesma preparar-lhe o quarto onde se deitaria. Tirou então toda a roupa que estava na cama, levantou o colchão, e por baixo dele colocou uma pequena ervilha. Depois juntou vinte colchões e mais vinte edredões, e colocou tudo por cima da cama. Seria aí que a princesa iria passar a noite.

Na manhã seguinte, assim que acordou, todos lhe perguntaram como tinha dormido.

- Oh, muito mal – respondeu ela – Não preguei olho a noite toda! Havia algo na minha cama que me magoou as costas e que não me deixou dormir! Foi uma noite terrível!

Assim que se ouviram estas palavras, todos tiveram a certeza de que estavam perante uma autêntica princesa, pois só uma princesa verdadeira poderia ser tão sensível a ponto de sentir uma pequena ervilha por baixo de tantos colchões. O príncipe pediu-a logo em casamento e foram muito felizes. Diz-se que a história é verdadeira, e para quem dúvidas, a ervilha ainda está guardada para poder ser vista por quem não acreditar.

(adaptado de ‘A Princesa e a Ervilha’, de H.C.Andersen)


  • Sanduíches dinamarquesas

( de frango, delícias do mar, queijo e fiambre, e presunto)

Num país muito distante, andava uma menina a passear sobre um manto de neve, quando lhe apareceu uma gralha que falava a língua das pessoas.

- Bom dia - disse-lhe ela - que fazes por aqui sozinha?

E a menina a princípio assustou-se, mas depois resolveu contar-lhe que andava à procura do seu amigo que tinha desaparecido e de quem tinha muitas saudades. A gralha respondeu-lhe que tinha visto um menino que era novo naquela terra e que podia talvez ser quem ela procurava. Os dois ficaram amigos e resolveram ir juntos até ao palácio, onde o menino tinha sido visto pela última vez. Pelo caminho a menina perguntou:

- Então mas o que está o meu amiguinho a fazer no palácio? Ele não é um príncipe!

Ao que a gralha respondeu:

- Pois não, mas uma história há que explica tudo. Vou contar-te:

Neste reino onde estamos agora, existe uma princesa que é muito inteligente e quando se decidiu a casar, fez questão de encontrar um pretendente que fosse tão inteligente quanto ela. Mandou então espalhar a palavra, que todos os jovens de boa aparência se poderiam apresentar no palácio, para que ela pudesse escolher o mais inteligente entre eles. Vieram muitos! Faziam fila aos portões do palácio! Tinham fome e tinham sede, e os mais espertos tinham trazido pequenas sanduíches dinamarquesas que não partilhavam com ninguém. Estavam muito entusiasmados mas assim que viam a princesa ficavam envergonhados e não conseguiam dizer nada! Foi então no terceiro dia que apareceu um menino, simples e de roupas pobres, que desejava apenas ouvir a princesa, sem se tornar um pretendente. Quando se encontraram a conversa resultou tão bem, que o menino acabou por ficar no palácio!

- Oh, deve mesmo ser o meu amigo, pois ele é muito inteligente! – disse a menina.

Nesse preciso instante, chegaram ambos ao palácio. A gralha entrou primeiro e de seguida arranjou maneira de a menina entrar também. Lá dentro ela procurou o seu amigo, com cuidado para não ser vista por ninguém. Por fim chegou ao quarto onde dormia a princesa e o menino de que a gralha lhe tinha falado. Aproximou-se pé ante pé, com muito jeitinho e sem fazer barulho, mas quando já estava bem perto notou que não o conhecia. Começou a chorar de tristeza e o menino acordou com o som do seu choro, revelando-se um bonito e educado príncipe. A menina contou-lhe a sua história e o príncipe teve tanta pena dela que a deixou passar a noite no palácio. No dia seguinte pela manhã, arranjou-lhe uma boa carruagem, deu-lhe roupas novas e comida e acompanhou a menina até aos portões. Ficou a acenar-lhe até a perder de vista, enquanto ela seguia caminho sem desistir, sempre com esperança de um dia encontrar o seu amigo.

(adaptado de ‘A Rainha da Neve’, Quarta história – o príncipe e a princesa, de H.C.Andersen)

  • Bolo de Maçã

Cada chave tem a sua história. Mas esta que contamos aqui, tem uma história muito especial. Era a chave da porta do Conselheiro da Câmara, e tinha o poder especial de conseguir responder a qualquer pergunta com toda a verdade. Bastava pousá-la sobre a mão, colocar-lhe uma questão, e a chave começava a girar, cada volta significando uma letra do abecedário, até formar palavras e responder ao que se lhe perguntava. Era verdadeiramente uma chave mágica!

O Conselheiro fascinado com os poderes da sua chave, fazia-lhe todo o tipo de perguntas e anotava todas as respostas num pequeno caderno que mantinha para esse efeito. E a chave falava sempre a verdade.

Uma vez, na mesma noite em que o namorado da criada a tinha vindo visitar, desapareceu do armário da cozinha meio bolo de maçã. O Conselheiro perguntou quem o tinha tirado mas ninguém se queria acusar. Pegou então na chave e perguntou-lhe:

- Quem tirou o bolo de maçã do armário? O gato ou o namorado?

A chave da porta respondeu que tinha sido o namorado e a criada não teve outra hipótese senão admitir o roubo e confessar a verdade. Então e não é que aquela chave sabia mesmo tudo?

(adaptado de ‘A Chave da Porta’, de H.C.Andersen)

Nota: Inspirado no livro Receitas de Contos de Fadas de Hans Christian Andersen, editora 101 Noites

2006/01/07

"Novos talentos no infanto-juvenil"

"Alexandre Parafita

Alexandre Parafita é investigador de literatura oral, professor e autor de mais de 30 obras, sendo as mais recentes: "Chovia Ouro no Bosque" (Porto Editora), "Branca-Flor, o Príncipe e o Demónio" (Asa), "Histórias de Arte e Manhas" (Texto Editores), "O Conselheiro do Rei" (Impala), editado também em castelhano, e "Contos de Animais com Manhas de Gente" (Âmbar).
De 2005, retém como positivo "o despontar de alguns autores jovens, bastante promissores, seja ao nível da narração escrita, seja ao nível da ilustração, e que certamente garantirão a sobrevivência de uma literatura infanto-juvenil de qualidade no futuro".
O primeiro título escolhido foi "A Rosinha, o Mar e os Sonhos" (Gailivro) de Rosário Alçada Araújo (escrita) e Catarina França (ilustração), "pela sintonia estética que partilham". Na obra, "de enredo encantatório, atravessado pela aventura e pelo mistério do mar e dos tesouros, ecoam, inteligentemente, as reminiscências dos velhos contos de fadas, onde não falta o perfil de uma "Branca-Flor" reinventada em cada uma das personagens femininas da história".
Alexandre Parafita acrescenta ainda: "Para a criança que vive na fase de se apropriar de modelos, de distinguir de "motu proprio" as dicotomias essenciais com que a vida a confronta, tais como o bem e o mal, a fidelidade e a hipocrisia, a coragem e a cobardia, este livro é, sem dúvida, um amigo valioso. Valioso pela natureza das mensagens que segreda ao inconsciente do pequeno leitor."
Em conjunto, autora e ilustradora assinaram também "Somos Diferentes" (Impala) e "A História de Uma Pequena Estrela" (Gailivro).
Para um nível etário um pouco mais elevado, o autor destaca "Eldest" (2.º volume da Trilogia da Herança), de Christopher Paolini. "Todo o livro conduz a uma hábil e descomplexada incursão pelo mundo do fantástico, à semelhança do que vimos com as sagas de Harry Potter ou do Senhor dos Anéis. A particularidade de ser um autor muito jovem (19 anos) a dar vida e coerência a um enredo complexo, mas sedutor, onde abundam seres insólitos como dragões, elfos, anões, serpentes, espectros, feiticeiras e outros estereótipos do fantástico, torna este livro particularmente interessante para um público jovem. Um público facilmente atraído por narrativas onde impera a perspectiva mitológica do herói, envolvido num jogo permanente de intimidações, que vai superando em actos sucessivos de transgressão responsável."
Também para estas idades, Parafita escolhe "Fábulas de Bocage", de José Jorge Letria (texto da Introdução) e André Letria (ilustração), "uma edição com muita dignidade, que, ao mesmo tempo, comemora os 200 anos da morte do grande poeta setubalense". Destaca ainda esta obra "pelo muito que ela contribui para reerguer, aos olhos dos mais jovens, uma das mais belas facetas de um poeta que, no imaginário colectivo, ficou gravado pela sua vida boémia e errante. Nestes "versos com moral" de Bocage, cuidadosamente seleccionados e enquadrados por José Jorge Letria, e magnificamente ilustrados por André Letria, ecoa uma consciência crítica que não se esgotou no tempo e que, por vezes, foi trazida na voz de animais para melhor chegar aos humanos".


A Rosinha, o Mar e os Sonhos
Autor Rosário Alçada Araújo
Ilustrador Catarina França
Editor Gailivro
36 págs., 8,90 euros

Eldest
Autor Christopher Paolini
Tradutores Andrea Alves Silva e Vera Falcão Martins
Editor Gailivro
814 págs., 19,90 euros

Fábulas de Bocage
Autor da Introdução José Jorge Letria
Ilustrador André Letria
Editor Âmbar
42 págs., 17,85 euros


Marta Torrão

Marta Torrão é ilustradora e venceu o Prémio Nacional de Ilustração relativo a 2004 com o livro "Come a Sopa, Marta!" (Bichinho de Conto), atribuído por unanimidade pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e pela Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil. Normalmente usa técnica mista nos seus trabalhos (guache e colagens) e também ilustra para a imprensa, numa colaboração semanal com a revista "Notícias Magazine".
O primeiro livro que escolheu foi "O Quê Que Quem", do ilustrador Gémeo Luís e com textos de Eugénio Roda (Edições Eterogémeas). "Seleccionei este livro pela originalidade da técnica, corte no papel, mas também pelas magníficas ilustrações que dela resultaram. Ricas em pormenores poéticos, deixando por definir onde começam e onde acabam, criando imagens dentro de uma única imagem. Uma espécie de jogo onde com toda a atenção se descobrem elementos que vivem para lá do texto." É um livro bilingue (português e inglês), com o interessante subtítulo "Notas de rodapé e de corrimão".
A segunda obra seleccionada foi "A Máquina Infernal", do ilustrador e desta vez também autor Alain Corbel. "Alain associou a sua representação da realidade ao imaginário inocente de um menino, chamado Tim. O resultado são elementos verdadeiramente surpreendentes, como quando Tim percebe que a sua máquina infernal se pode transformar em algo bom e mágico aos olhos de uma outra criança, neste caso uma menina, e que o mesmo pode acontecer com as palavras."
Marta Torrão considera ainda que há "detalhes harmoniosos presentes em pequenas coisas, como o vestido da personagem, que remete para a renovação e nascimento. Uma bonita união entre a escrita e o desenho".
Por último, elege "Uma Estrela", ilustrado por Cristina Valadas e escrito por Manuel Alegre. "Escolhi este livro pela quase ausência de cores nas ilustrações, o que é bastante curioso, principalmente por ser uma obra que aborda o tema do Natal e por estarmos habituados aos livros cheios de cores. Neste caso é diferente e o facto de a ilustradora nos dar uma nova perspectiva do Natal ganha pela diferença, criando um universo de figuras simples, mas cheias de encanto."


O Quê Que Quem/ Notas de Rodapé e de Corrimão
Autor Eugénio Roda
Tradução para Inglês Ana Saldanha
Ilustrador Gémeo Luís
Editor Edições Eterogémeas
22 págs., 9 euros

A Máquina Infernal
Autor e ilustrador Alain Corbel
Editor Caminho
32 págs., 12,60 euros

Uma Estrela
Autor Manuel Alegre
Ilustrador Cristina Valadas
Editor Dom Quixote
28 págs., 13,30 euros"

Ilse Losa morreu

Pelo seu manifesto interesse pedagógico, reproduzo o texto que o jornal Público edita hoje nas suas páginas:

"
Ilse Losa (1913-2006) Uma escritora entre dois mundos

Morreu ontem, aos 92 anos, a escritora portuguesa de ascendência alemã Ilse Losa, um dos nomes mais significativos da nossa literatura juvenil, mas cuja obra se estende ao romance, ao conto e à crónica. Vivia no Porto desde 1934, ano em que chegou a Portugal, fugindo da ascensão nazi. Por Luís Miguel Queirós

Embora existam precedentes célebres, não é nada vulgar que alguém consiga tornar-se um autor de reconhecida relevância numa língua com a qual só contactou já na idade adulta. É esse o caso de Ilse Losa, que poucas palavras conheceria em português quando a sua condição de judia a obrigou a deixar a Alemanha e a procurar refúgio no Porto, onde desembarcou em 1934, aos 21 anos.
Do tempo que viveu no seu país natal, desde a infância passada com os avós numa aldeia próxima de Osnabrück até à sua fuga de uma Alemanha que acabara de levar os nazis ao poder, deixou-nos um notável testemunho no seu romance de estreia, O Mundo em que Vivi, escrito já directamente em português e publicado em 1949. Ficção fortemente autobiográfica, o livro conta a história de uma rapariga judia, Rose Frankfurter - loura e de olhos azuis, tal como Ilse Losa -, que escapa in extremis ao horror dos campos de concentração.
Foi também literalmente no último momento que Ilse Lieblich (o seu apelido de solteira) abandonou a Alemanha. A Gestapo tivera acesso a uma carta em que Ilse criticava Hitler e, após um duro interrogatório, ordenou-lhe que voltasse a apresentar-se seis dias mais tarde. Se tivesse comparecido, o campo de concentração era o destino mais do que provável. Ilse fugiu nesse intervalo. O seu irmão mais velho já vivia no Porto, e o mais novo chegaria pouco depois dela.
Em 1935, casou-se com Arménio Losa (1908-1988), um dos mais relevantes arquitectos modernistas portugueses, e adquiriu a nacionalidade portuguesa.
Óscar Lopes foi um dos primeiros a reconhecer a importância do romance de estreia de Ilse Losa, sublinhando, em O Mundo em que Vivi, a vivacidade do retrato da sociedade alemã nos anos que vão do final da Primeira Guerra até à vitória dos nazis, mas elogiando, também, a sua "escrita inexcedivelmente sóbria e transparente".
No mesmo ano de 1949, Ilse Losa publica Faísca Conta a Sua História, a primeira das cerca de duas dezenas de narrativas e peças de teatro que escreveu para crianças. Em 1982, recebe um prémio da Gulbenkian pelo livro Na Quinta das Cerejeiras, e a mesma fundação atribui-lhe, dois anos mais tarde, desta vez pelo conjunto da sua obra, o Grande Prémio de Literatura para Crianças.
Segundo José António Gomes, professor e crítico de literatura infantil, "Ilse Losa introduziu o realismo na literatura para crianças em Portugal". Num depoimento ontem prestado ao PÚBLICO, recorda ainda que a autora foi pioneira na atenção aos temas ambientais, no livro Beatriz e o Plátano (1976), e recorda "a magnífica parábola sobre a perseguição dos judeus" que constitui o conto Silka, premiado em 1989 pela Bienal de Bratislava, que atribuiu a Maçã de Ouro ao trabalho de Manuela Bacelar, ilustradora de várias obras da escritora. "A Ilse é uma referência no meu trabalho e na minha vida, e lamento muito o seu desaparecimento e o facto de ter sido tão esquecida", disse ao PÚBLICO Manuela Bacelar.
Para José Jorge Letria, Ilse Losa "libertou a literatura para a infância do estigma de uma literatura menor". E Luísa Dacosta realça o facto de a autora se ter "aventurado a escrever em português, o que talvez a fizesse sentir-se uma estrangeira mesmo na língua".
Estrangeira sentiu-se seguramente nesse Portugal salazarista dos anos 30, que descreve no romance Sob Céus Estranhos (1962), cujo protagonista é um judeu alemão refugiado no Porto e que nos dá um magnífico retrato da provinciana "pasmaceira" (termo que o próprio herói do livro utiliza) que era a cidade no final dos anos 40.
Entre as muitas obras de Ilse Losa, podem destacar-se o romance Rio Sem Ponte (1952), ou as narrativas de Aqui Havia Uma Casa (1955), O Barco Afundado (1979) e Caminhos Sem Destino (1991). Ou ainda o livro de crónicas de viagem Ida e Volta. À Procura de Babbitt (1960). Colaboradora de muitos jornais e revistas, Ilse Losa foi também cronista do PÚBLICO, onde manteve uma coluna mensal, desde o lançamento do jornal, em 1990, até finais de 1992.
Além da sua própria obra, Ilse Losa deixa-nos um conjunto de importantes traduções, quer de autores alemães, como Brecht, Erich Kästner, Max Frisch ou Anna Seghers, quer de escritores portugueses que traduziu para a sua língua natal. Com Óscar Lopes, organizou uma antologia da moderna lírica portuguesa, editada em Berlim em 1969. É ainda dela a tradução portuguesa do célebre Diário de Anne Frank.
Apesar de haver decerto alguma verdade no lamento de Manuela Bacelar, Ilse Losa não está assim tão esquecida. A publicação, em 1990, da tradução alemã de O Mundo em que Vivi despertou um grande interesse pela sua obra na Alemanha, cujo Governo a condecorou em 1991 - Portugal outorgou-lhe em 1995 a Ordem do Infante D. Henrique -, e também no seu país de acolhimento não faltam estudos sobre a sua obra, ainda que geralmente limitados a artigos de jornal, ensaios dispersos por obras colectivas ou entradas de dicionários. Um bom ponto de partida é o livro Paisagens da Memória - Identidade e Alteridade na Escrita de Ilse Losa (2001), de Ana Isabel Marques, publicado em 2001, que, além da estimulante leitura que faz da obra de Ilse Losa, inclui uma bibliografia exaustiva dos textos dedicados à autora.
O funeral é hoje, pelas 10h30, no cemitério portuense do Prado do Repouso. com Rita Pimenta"

2005/12/18

Nova edição de Aquilino

"Autor de obras como Jardim das Tormentas (1913), Terras do Demo (1919), Cinco Réis de Gente (1948) ou Quando os Lobos Uivam (1959), foi com Romance da Raposa (1924) que Aquilino Ribeiro ganhou notoriedade junto do público juvenil. A Bertrand Editora recuperou as ilustrações originais de Benjamin Rabier para uma nova edição do romance, mas desta vez os desenhos surgem a cores, de onde se realça o verde do bosque frondoso onde Salta-Pocinhas vive as suas aventuras. A linguagem, essa, é a mesma de sempre com expressões que não cedem com o tempo. Exemplo? "Quem não trabuca não manduca." Preço de capa 25 euros."

"Da fábula de Aquilino Ribeiro ao testemunho crítico medieval"

Ainda citando o Diário de Notícias: ""Havia três dias e três noites que a Salta-Pocinhas - raposeta matreira, fagueira, lambisqueira - corria os bosques, farejando, batendo ma-to, sem conseguir deitar a unha a outra caça além duns míseros gafanhotos, nem atinar com abrigo em que pudesse dormir um soninho descansado." É desta forma sugestiva que o escritor português Aquilino Ribeiro inicia a sua versão de O Romance da Raposa (edição da Bertrand), clássico juvenil que se encontra editado com ilustrações de Benjamin Rabier. E é no registo da fábula bucólica descomprometida, aligeirada por diálogos típicos da Beira Alta natal (o escritor nasceu na aldeia de Carregal, em 1895) que a obra fez história a partir da misteriosa raposa, nascida e criada vários séculos antes desta publicação.

Tal como o percurso sinuoso da raposa Salta-Pocinhas pelo bosque, a origem desta história não é consensual, mas sabe-se que a personagem surgiu entre os séculos XII e XIII e é um dos primeiros exemplos de uma figura reincidente nos contos de tradição oral que transitou para as páginas dos primeiros livros populares na Idade Medieval. Le Roman de Renart (título original de O Romance da Raposa) não apareceu primeiro como prosa literária compilada por um escritor célebre. Foi antes produto de múltiplos versos octossilábicos que monges copistas produziram como forma de usar o comportamento arisco de animais para, daí, dar lições de moral e bons costumes a um povo analfabeto a essência da fábula.

O estilo algo superficial dos manuscritos encontrados (quase sempre com direito a ilustrações) descreve Salta-Pocinhas como um herói marginal e mais esperto que as restantes personagens animais - as mais conhecidas são Tibert, o gato, Noble, o leão, e Isengrip, o lobo. Os episódios, inspirados na obra Fábulas de Esopo, revelam cruzadas, ataques a castelos e desrespeito pela autoridade.

Segundo o ensaio A Novela da Idade Média, da autoria do professor catedrático brasileiro Ricardo Costa, a história de O Romance da Raposa, tal como da maioria das fábulas da época, tinha funções sociais relevantes e um carácter disciplinar. Além de ajudar a reconhecer o papel divino, o conto levava o leitor (ou, na maior parte dos casos, o ouvinte) a "unir-se às virtudes e a odiar os vícios", confrontar "opiniões erróneas", questionar a ordem e satirizar o dia-a-dia. Ainda segundo Ricardo Costa, "a utopia medieval fornecia um caminho para se chegar à perfeição", no entanto, "o importante não era saber se o andarilho chegaria a realizar o seu modelo utópico no fim da caminhada e sim tentar trilhar sempre o caminho escolhido".

E é isso que tanto o Salta-Pocinhas da obra de Aquilino Ribeiro como o Reinaldo do filme de animação que hoje chega às salas nacionais procuram fazer usar as artimanhas e a astúcia de uma raposa para procurar subir na vida.

No filme de Thierry Schiel, o protagonista tem, em particular, um bom coração, característica que justifica a sua ousadia e facilita o processo de identificação com os jovens espectadores ao qual o filme se destina. Mas, cerca de oito séculos depois, a essência das per- sonagens e das situações caricatas mantém-se. Tal como as histórias que ainda se contam sobre a raposa, matreira, e o lobo, ingénuo."

"Os esquimós de Vieira em viagem pelas estrelas"

Reproduzo do Diário de Notícias de 12 de Dezembro:



Edição

Os esquimós de Vieira em viagem pelas estrelas

'Kô e Kó, Os Dois Esquimós', ilustrado por Vieira da Silva, sai agora em Portugal

"É uma cabana de dois esquimós à procura do sol, viagem fantástica e interior na cauda de duas estrelas que descem suavemente sobre eles, como "dois elevadores dourados" com a luz virada de avesso. É também um livro para crianças, que se abre como um cenário de teatro, intitulado Kô e Kó, os Dois Esquimós. Com texto de Pierre Gueguen, conta com ilustrações de Vieira da Silva e acaba de ser publicado numa belíssima edição da Gótica com Michel Chandeigne. A tradução é de Joana Cabral.

Os mesmos desenhos da pintora, mestre na desmultiplicação do espaço e na sua fragmentação, estiveram expostos em Lisboa, na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, em 2001, lado a lado com a ilustração de Os Desastres de Sofia, da Condessa de Ségur, incluída num livro oferecido a Violante Canto da Maya, filha do escultor.

Kô e Kó surgem, em 1933, numa série de guaches de Vieira realizados para 14 páginas. O livro, publicado em França pela galerista Jeanne Bucher, numa tiragem de 300 exemplares - dos quais 12 eram acompanhados, cada um, de um original, assinados e numerados -, integra duas pranchas com desenhos das personagens para o leitor recortar e poder montar.

Não será o pior método, este o de chegar a Vieira pelo lado dos livros que a pintora portuguesa, um dos nomes mais relevantes da Escola de Paris e do abstraccionismo lírico, ilustrou. Nesta sua faceta menos conhecida, detecta- -se o traço, a matéria visual, o processo de escrita. É ainda evidente uma poética do espaço e a explosão rítmica de formas e emoções.

Depois da guerra, Vieira da Silva participará no projecto Caderno de Juventude e "comentará" Zadig, de Voltaire, L'Oiseau Bleu, de Maeterlinck, ou Médico à Força, de Molière. Neste Kô e Kó, as árvores são, afinal, meninas com braços brancos, a terra parece um prato de farófias e as focas assustam os dois esquimós. A mão de Vieira dança, entretanto, por entre as letras como um anjo."

2005/12/01

Noddy e Enid Blyton

"Histórias de uma criança com 56 anos", por Ana Filipe Vieira

""Não estou aqui só para escrever histórias, por mais que goste de o fazer. Estou aqui para promover a amizade, a bondade, a lealdade e todas as coisas que as crianças devem aprender." Quem o afirmou foi Enid Blyton, que sempre quis mostrar que era possível entreter as crianças sem recorrer à violência. A avaliar pela afluência de pequenos espectadores à Casa da Música, no Porto, e a que se espera entre hoje e dia 4 no espectáculo Noddy Live no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, pode dizer-se que "A Máquina", alcunha pela qual a autora era conhecida no universo literário, foi bem sucedida.

Mas o êxito de Noddy (expressão que, em inglês, é usada para denominar alguém que está sempre a dizer que sim com a cabeça) não é um fenómeno recente. Corria o ano de 1949 quando a escritora de livros infanto-juvenis mais popular de todos os tempos publicou a primeira aventura deste personagem. Noddy Goes to Toyland (na foto, um exemplar da obra), assim se intitulou o livro ilustrado pelo cartunista dinamarquês Harmsen van der Beek, teve êxito imediato.

Durante os 56 anos que se seguiram, o "filho de madeira", de Enid Blyton, foi o melhor amigo de gerações e gerações de crianças, que descobriram com entusiasmo cada vez maior as inocentes aventuras do pequeno boneco, sempre importunado pelos malvados duendes Sonso e Mafarrico e "salvo" pelos amigos Orelhas e Senhor Lei.

O período mais conturbado da vida de Noddy, baptizado em França (o primeiro país a traduzir os livros de Blyton) de "Oui-Oui", remonta à década de 60. Na sequência das críticas às obras da escritora britânica, acusada de banalidade, snobismo e xenofobia - os vilões da colecção de livros de aventuras Os Cinco são sempre estrangeiros - surgiu uma campanha anti-Noddy, que apontava o dedo ao famoso habitante da Cidade dos Brinquedos e ao seu amigo e mentor Orelhas, apelidando-os de "perversos". As razões prendiam-se com o facto de viverem juntos.

Foram essencialmente os bibliotecários de vários países que se manifestaram contra as publicações. Durante algum tempo, juntaram-se para protagonizarem cerimoniais onde queimavam os livros do Noddy, cuja venda acabou mesmo por ser proibida em Inglaterra, na Austrália e na Nova Zelândia. Nos anos 70, o personagem negro que integrava as histórias e que dava pelo nome de Gollywog foi retirado das narrativas - sob a acusação de fomentar o racismo - e as odisseias do Noddy e dos seus companheiros regressaram às estantes daqueles países.

Apesar do "incidente", a popularidade do boneco não foi perturbada e Enid Blyton resolveu não dar importância "a críticos com mais de 12 anos".

Desde então, Noddy e o seu mundo mágico não mais pararam de angariar novos adeptos em todo o mundo, justificando o nascimento e crescimento de uma infindável gama de produtos com e sobre o rapaz promotor da honestidade e da benevolência. Dos livros que apresentam desenhos para pintar aos autocolantes reutilizáveis, passando pelos brinquedos e pelos jogos (existem muitos mais do que quaisquer outros com um boneco inglês), pela banda desenhada, pela Sétima Arte (o primeiro e único filme, Noddy In Toyland, foi realizado em 1957 por Maclean Rogers), pelos DVD e CD, pelos toques e capas para os telemóveis, pelas peças de vestuário e pelos acessórios, muitos são os indícios de sucesso do menino idealizado por Enid Blyton.

Mas foram as séries de televisão, as mais recentes a três dimensões e quase todas destinadas a crianças dos três aos sete anos, que contribuíram para o incremento da fama do brinquedo. Quando os EUA aderiram a esta "febre", há apenas cerca de oito anos, foram encomendados os livros da escritora adaptados do inglês para o estilo de linguagem americana e acompanhados por uma produção televisiva da BBC Worldwide. Esta teve direito à maior verba que a cadeia britânica deu, até então, a um programa infantil.

E, para quem não sabe, fica a advertência em terras nacionais, o Noddy pode ser acompanhado através do canal 2:, que exibe, de segunda a sexta-feira, no espaço Zig Zag (19.45), Abram Alas para o Noddy. Esta série transporta para o pequeno ecrã as provações originais que a "mãe" Blyton criou para o herói de palmo e meio.

Produzida desde 2001 pela dupla Paul Sabella e Jonathan Dern, Make Way for Noddy (título original) recorre a efeitos visuais conseguidos através de imagens computorizadas, tornando as histórias ainda mais atractivas para as futuras gerações de crianças."


"A 'pop star' dos mais pequenos", por Ricardo Araújo Fonseca

"Quando Noddy entrou na sala 1 da Casa da Música, já o espectáculo decorria há alguns minutos, dir-se-ia estarmos perante uma pop star. Uma estridência absoluta de centenas de crianças, que esticavam os braços e o chamavam, com uma ansiedade que recordava aparições públicas de outras mega-estrelas da actualidade. Quanto ao boneco, saído do famoso táxi colorido que sempre o acompanha, abriu efusivamente os braços e gritou "Olááá!", sendo necessário proteger os ouvidos no momento seguinte, quando a jovem plateia devolveu em uníssono aquela saudação.


Este estrondo do primeiro espectáculo Noddy em Portugal (e o primeiro fora de Inglaterra, país natal da personagem) era já previsível, tendo em conta a romaria que se formou junto à Casa da Música, mal começaram a ser vendidos os bilhetes. Com uma fila que se esticou até à Rotunda da Boavista, rapidamente desapareceram os 15 mil ingressos disponíveis para os espectáculos que se realizaram entre 23 e 27 de Novembro, tendo a Câmara do Porto adquirido duas plateias completas para oferecer a oportunidade a crianças desfavorecidas. No total, estima-se que, entre os espectáculos de Porto e Lisboa (que se iniciam hoje, no Pavilhão Atlântico, com apresentações até 4 de Dezembro), sejam vendidos cerca de 65 mil bilhetes, sendo que o número de espectadores poderá ser superior, contabilizando-se as crianças com menos de três anos.

Preparado desde o início de 2005, o Noddy Live implicou a vinda de dois camiões ingleses, a que se juntaram mais dois portugueses, para transportarem toda a maquinaria necessária ao espectáculo. Também de Inglaterra vieram os actores que deram vida aos bonecos da Cidade dos Brinquedos, apesar das suas vozes pertencerem a conhecidos cantores portugueses. Miguel Ângelo, dos Delfins, empresta a voz ao Orelhas; Miguel Gameiro, dos Pólo Norte, ao Sr. Lei; Rita Reis, das Non Stop, à Dina; enquanto o Noddy recebe a voz de Ana Luís.

Riquíssimo em efeitos sonoros e de luz, o espectáculo apresenta-nos mais uma aventura de Noddy na Cidade dos Brinquedos. Há uma máquina do tempo, inventada pelo Sr. Faísca, que é roubada pelos duendes Sonso e Mafarrico, que com ela pretendem arruinar a "feira dos raios de sol", onde abundam as guloseimas e os presentes. Noddy vê-se envolvido na tramóia dos duendes e acaba por ser preso, sendo detido numa curiosa penitenciária em forma de capacete de polícia inglês (os Bobbys). Dividido nos seus sentimentos, o boneco interpela as crianças, pedindo-lhes conselhos sobre o que há-de fazer. E novamente ribombam as suas vozes, atropelando-se em sugestões e em palpites. Um dos trunfos do espectáculo é esta interacção permanente, incitando-se os miúdos a tomar partido e a participarem em coreografias nos momentos musicais. As canções do Noddy são inseridas com frequência, servindo de remate aos diversos quadros da peça. E o cenário vai-se alterando conforme o lugar da acção. Finalmente, após muitos conselhos e trapalhadas (o clima dentro do palco vai mudando ao sabor da vontade dos duendes, e ora chove, ora cai neve), Noddy resolve os seus dilemas e os habitantes da Cidade dos Brinquedos recuperam a máquina do tempo. Os duendes são perdoados e acabam também a festejar a "feira dos raios de sol". E, quando se despedem, há novamente histeria e mais uma vez nos lembramos de um concerto de música pop, com os miúdos desaustinados a pedirem encore.

O sucesso do espectáculo é compreensível pela celebridade do boneco e pela magnífica concepção do cenário, mas segundo Dan Colman, da Lemon (empresa que co-produziu o espectáculo com a Direcção de Educação e Investigação da Casa da Música), o grande segredo do Noddy é representar "valores universais" e apelar ao convívio e ao entendimento. "Os problemas resolvem-se através da comunicação, nunca através da violência, como noutros cartoons."
Feito de madeira, é amigo do seu amigo e adora conduzir um táxi vermelho e amarelo, que se faz ouvir com um sonoro "Pii! Pii!". Viaja muitas vezes de avião para visitar lugares distantes do País dos Brinquedos. Está sempre metido em sarilhos, especialmente porque os duendes Sonso e Mafarrico passam os dias a pregar-lhe partidas. Quando fica agitado, abana a cabeça, "accionando" o guizo que tem na ponta do seu chapéu azul."

2005/11/28

CEPLI - V Seminário Internacional de "Leitura e Património"

PRIMERA CIRCULAR


Directores:

Pedro C. Cerrillo, Elisa Larrañaga, Eloy Martos,

Mª Carmen Utanda y Santiago Yubero



Secretarios:

Cristina Cañamares, Raúl Navarro, César Sánchez, Sandra Sánchez

Secretario técnico:

Carlos J. Martínez

Con la colaboración de:

Universidad de Extremadura

Universidad de Passo Fundo (Brasil)

Patronato Universitario Cardenal Gil de Albornoz

Facultad de Educación y Humanidades

Vicerrectorado de Extensión Universitaria y del Campus de Cuenca

Vicerrectorado de Investigación

Viceconsejería de Universidades de la JCCM

Ediciones SM

Ediciones Anaya

Edelvives

Alfaguara


Miércoles 25 de octubre

9,15 h. Recogida de documentación y acreditaciones

9,45 h. Acto inaugural, con intervención de:

Dr. Francisco Duque Carrillo, Rector Mgfco. De la Universidad de Extremadura

Dr. Rui Getulio Soares, Rector de la Universidad de Passo Fundo (Brasil)

Dr. Ernesto Martínez Ataz, Rector Mgfco. De la Universidad de Castilla La Mancha

10,30 h. Conferencia: Por determinar

12 h. Mesa 1: La creación literaria para niños y jóvenes, hoy

D. Fernando Alonso (escritor), Dª Monserrat del Amo (escritora), Dr. Antonio Gómez Yebra (escritor y profesor de la Universidad de Málaga) y Dr. Gabriel Janer Manila (escritor y catedrático de la Universidad de Baleares). Modera: Dra. Mª Carmen Utanda (Prof. Titular de E.U. de la Universidad de Castilla La Mancha)

17 h. Comunicaciones. Sesión 1.

19 h. Presentación del nº 2 de la Revista OCNOS

Jueves 26 de octubre

9,30 h. Mesa 2: La formación del lector

Dr. Antonio Mendoza Fillola (Catedrático de la Universidad de Barcelona), Dr. Luis Sánchez Corral (Catedrático de la Universidad de Córdoba), Dr. Santiago Yubero Jiménez (Catedrático E.U. de la Universidad de Castilla La Mancha). Modera: Dra. Gloria García Rivera (Prof. Titular de la Universidad de Extremadura)

12 h. Mesa 3: Identidad, lecturas, patrimonio e interculturalidad

Dr. Bernard Bentley (Prof. Universidad de St. Andrews –Escocia–), Dr. Fernando Fraga Azevedo (Prof. Universidad do Minho –Portugal–), Dr. Jaime García Padrino (Catedrático de la Universidad Complutense de Madrid) y Dr. Eloy Martos Núñez (Catedrático de E.U. de la Universidad de Extremadura). Modera: Dr. Ángel Suárez Muñoz (Prof. Titular de la Universidad de Extremadura)

17 h. Comunicaciones. Sesión 2

18,30 h. Comunicaciones. Sesión 3

Viernes 27 de octubre

9,30 h. Mesa 4: Nuevas lecturas y nuevos lectores

Dr. Pedro C. Cerrillo (Catedrático de la Universidad de Castilla La Mancha), Dra. Gemma Lluch Crespo (Prof. Titular de la Universidad de Valencia), Dra. Tânia Rosing (Prof. de la Universidad de Passo Fundo –Brasil–). Modera: Dra. Elisa Larrañaga Rubio (Prof. Titular de E.U. de la Universidad de Castilla La Mancha)

12 h. Conferencia: Por determinar

13 h. Entrega de diplomas

13,15 h. Clausura:

Dr. José Ignacio Albentosa (Vicerrector de Extensión Universitaria y del Campus de Cuenca)

13,45 h. Vino de despedida.

Áreas de COMUNICACIONES

1: “La formación del lector: nuevas lecturas y nuevos lectores”

Preside: Maria do Sameiro Pedro (Prof. Adjunta da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Beja ­ –Portugal­­­–)

2: “Selección de lecturas y maduración lectora”

Preside: Dª Dolores González López-Casero (Fundación Germán Sánchez Ruipérez)

3: “Lecturas canónicas, clásicos y lecturas periféricas”

Preside: Dr. Gabriel Núñez (Universidad de Almería)

4: “Identidad, lecturas, patrimonio e interculturalidad”

Preside: Dr. Antonio Mula (Universidad de Alicante)

5: “Corrientes y temas de la LIJ actual”

Preside: Dra. Blanca A. Roig (Universidad de Santiago de Compostela)

6: “La animación lectora como fórmula para captar lectores”

Preside: Dª Claudia Rodríguez (Fundalectura –­Colombia–­)

NORMAS para la presentación de COMUNICACIONES y POSTERS

Quienes deseen presentar comunicación, deberán enviar un resumen de la misma antes del 30 de abril, a través de correo electrónico, a la dirección andres.villanueva@uclm.es, en archivo adjunto en Word.

Los resúmenes deberán tener formato de fuente Times New Roman, cuerpo 12, espaciado de 1,5 líneas y presentar el siguiente formato:

  • Comunicaciones:

- Nombre del autor o autores (no más de 3 por comunicación)

- Centro de trabajo

- Puesto que ocupa

- Título

- Resumen de 250 palabras (entre 15 y 20 líneas). El resumen debe ser completo (recoger todos los aspectos sustanciales del trabajo), conciso (sin elementos accesorios), informativo (no evaluativo) y preciso.

- Cinco palabras clave.

- Área a la que se presenta el trabajo.

Pósters:

- Nombre del autor o autores (no más de 4 por póster)

- Centro de trabajo

- Puesto que ocupa

- Título.

- Resumen de 200 palabras.

- Área a la que se inscribe el trabajo.

Cada autor podrá firmar un máximo de dos trabajos.

A finales de mayo, cuando el Comité Científico haya valorado las propuestas recibidas, se confirmarán las que sean aceptadas, así como el área en que se incluirán. Al menos uno de los firmantes debe estar inscrito en el Congreso. Antes del 30 de septiembre los autores enviarán las comunicaciones definitivas, así como los pósters.

Todas las propuestas aceptadas deberán ser expuestas por alguno de los autores; cada comunicante contará con 15 minutos para la exposición del trabajo. Los autores de posters deben estar disponibles en la sesión de presentación para responder a las cuestiones que hagan los asistentes.

Las comunicaciones completas, junto con las ponencias, serán editadas por el Servicio de Publicaciones de la UCLM, con posterioridad a la celebración del Seminario. Sus autores las entregarán en dos copias, una en CD o disquette (Word) y otra en papel, de acuerdo a las siguientes normas de edición:

  1. La extensión no será superior a 8 páginas (DIN A-4, 1,5 espacio, Times Wew Roman, cuerpo 12), incluidas las referencias bibliográficas, que deben ir al final del trabajo, ordenadas alfabéticamente por el apellido del autor, de esta manera:

APELLIDOS, Nombre (Año): Título del libro. Ciudad: Editorial.

En el caso de artículos o capítulos de libros:

APELLIDOS, Nombre (Año): “Título del artículo”, Nombre revista o título libro, nº y volumen (en el caso de revista), págs.

  1. Los trabajos vendrán encabezados con el título, nombre y apellidos del autor o autores, profesión y centro de trabajo.
  2. Los trabajos que incluyan imágenes, cuadros o gráficos deben presentarse numerados, con indicación de la parte del trabajo en el que se incluirían. Serán en blanco y negro y con la nitidez suficiente para poder ser reproducidos.
  3. Las comunicaciones se enviarán a CEPLI. Facultad de Educación y Humanidades. Avda. de los Alfares, 44. 16071 Cuenca.

COMITÉ CIENTÍFICO:

Dra. Luisa Abad (Universidad de Castilla La Mancha)

Dr. José Ignacio Albentosa (Universidad de Castilla La Mancha)

Dr. Antonio Basanta (Fundación Germán Sánchez Ruipérez)

Dr. Ángel Cano (Universidad de Castilla La Mancha)

Dr. Xavier Etxaniz (Universidad del País Vasco)

Dr. Fernando Fraga Azebedo (Universidad do Minho –Portugal–)

Dr. Jaime García Padrino (Universidad Complutense)

Dra. Gloria García Rivera (Universidad de Extremadura)

Dr. Antonio Gómez Yebra (Universidad de Málaga)

Dr. Ramón Llorens (Universidad de Alicante)

Dra. Gemma Lluch (Universidad de Valencia)

Dr. Antonio Mendoza (Universidad de Barcelona)

Dra. Pascualita Morote (Universidad de Valencia)

Dr. Jesús A. Moya (Universidad de Castilla La Mancha)

Dr. Ángel Luis Mota (Universidad de Castilla La Mancha)

Dr. Martín Muelas (Universidad de Castilla La Mancha)

Dr. Antonio Mula (Universidad de Alicante)

Dr. Gabriel Núñez (Universidad de Almería)

Dra. Carmen Poyato (Universidad de Castilla La Mancha)

Dra. Blanca A. Roig (Universidad de Santiago de Compostela)

Dra. Tânia Rosing (Universidad de Passo Fundo –Brasil–)

Dr. Luis Sánchez Corral (Universidad de Córdoba)

Dr. Félix Sepúlveda (UNED)

Dra. Victoria Sotomayor (Universidad Autónoma de Madrid)

Dr. Ángel Suárez (Universidad de Extremadura)

INSCRIPCIONES

Con comunicación:

Antes del 14 de julio de 2006: 90 €

A partir de esa fecha: 120 €

Sin comunicación:

Del 10 de septiembre al 17 de octubre de 2006: 60 €

(La matrícula da derecho a la asistencia a todas las sesiones, al dossier de resúmenes y al vino de honor de despedida. A los asistentes con comunicación se les enviará un ejemplar de las Actas del Seminario a su domicilio, una vez que estén publicadas).

Para los estudiantes de la Universidad de Castilla La Mancha la asistencia al Seminario podrá ser convalidada por 2 créditos de libre configuración