2005/11/27

João Vaz de Carvalho na "Pública"

"Pintor há 20 anos, João Vaz de Carvalho venceu a Bienal Internacional de Ilustração para a Infância 2005, mas não acredita que se ilustre para as crianças. As diferenças que hoje encontra entre a pintura e a ilustração são apenas de escala e de suporte. E o que mais faz é ilustrar sem texto.

Subverter as ideias e as coisas, desmontá-las com humor, divertir-se e divertir é o que faz João Vaz de Carvalho quando desenha. "Se temos a felicidade de nos divertirmos e a capacidade de ter humor, é um pecado não usufruir disso. E partilhar." O vencedor da Bienal Internacional de Ilustração para a Infância 2005 (Ilustrarte) não acredita que se ilustre para as crianças. Ilustra-se, simplesmente: "Ou se tem a capacidade de se comunicar com elas ou não." E está convencido de que os miúdos, perante um desenho, não têm qualquer expectativa: "Uma criança não espera nada de uma ilustração. A criança recebe [algo], se aquilo tiver capacidade para chegar a ela."
Com raízes rurais, natural do Fundão, Beira Baixa, conta como a sua infância foi passada em quintais e quintas. "Absorvi aquele ambiente e aqueles objectos e só me dei conta disso muito tarde. Mas essa presença é muito forte no meu trabalho. E isso passa para as crinças. No momento em que eu recebi aquelas informações e emoções, eu era criança. Não posso dizer que é uma emoção universal, mas pelo menos posso dizer que é comum."
Objectos quotidianos a dançar na cabeça de bonecos narigudos e de pernas fininhas é uma das suas imagens recorrentes. E é fácil sorrir-se diante delas. "Se não se tratar de uma patologia, há dramas que só existem na cabeça das pessoas. Temos de descobrir o lado divertido e positivo das coisas. E rir."
Pintor autodidacta, tem 47 anos e importa da pintura a técnica que usa para ilustrar. Mas não foi sempre assim. "Eu tinha algum temor em transportar para a ilustração a minha linguagem da pintura. Achava que estava a diminuí-la. Ao mesmo tempo, na ilustração, não sentia ter liberdade para executar plenamente, para me pôr todo ali. Como dependia de outros, nunca tive coragem de a abordar com a mesma liberdade que abordo as minhas histórias."
Procurou então, durante algum tempo, criar uma distância entre a pintura e a ilustração, "na pintura havia um lado experimental mais presente e mais forte". Há quatro ou cinco anos, rompeu com isso. "Era uma estupidez completa." E percebeu: "O meu trabalho é aquele, independentemente de ter texto ou não de alguém. Sou eu. Tenho de me entregar por completo àquele trabalho, seja ele de raiz da minha autoria ou de outra pessoa qualquer." A viragem deu resultado.
Antes, quando se tratava de ilustração, desenhava a lápis e depois passava para ecoline (aguarela líquida) sobre papel. Uma técnica "mais rápida e com um resultado plástico diferente". Agora, passa a acrílico, como na pintura. "Foi um salto brutal, as coisas enriqueceram imenso." Sente-se hoje mais identificado com o que faz como autor de ilustrações do que antes. "É mais uma diferença de dimensão e de suporte do que de discurso. A ilustração é no papel e a pintura em tela."
No caso da Ilustrarte, apresentou inéditos. E explica que podiam ser perfeitamente trabalhos finais de telas suas, mas transportou-as para uma dimensão mais pequena e para o suporte papel. "Gosto das duas coisas (pintura, ilustração), mas na pintura há um desgaste maior. Na ilustração, o processo é mais pacífico, mais fácil, até do ponto de vista físico. A escala é outra, trabalha-se com estirador."
João Vaz de Carvalho teve várias experiências profissionais, trabalhou num estúdio de gravação e num atelier de escultura em Coimbra (do artista plástico Vasco Berardo), mas há 20 anos que se dedica exclusivamente às artes. "Foi um salto complicado, no escuro. Mas não me arrependo, faço o que gosto. O meu trabalho desde o início foi muito bem aceite pelas pessoas."
Tem um longo percurso de colaboração com galerias (Novo Século, Trema e Altamira, de Francisco Paulino) e conta com um público fiel, "alguns fãs na arquitectura e no design de interiores". E sempre que expõe, "quadros que podem ter 1x20m por 1x20m", vende as exposições completas.
A passagem para ilustração deu-se numa dessas mostras. A então directora da revista "Marie Claire", a jornalista Maria Elisa, achou a sua pintura muito ilustrativa e convidou-o para umas experiências naquela publicação. "Nunca mais parei. Agora tenho trabalhado com o "Diário de Notícias" e fiz, há pouco tempo, uma capa da revista "Actual" do "Expresso"."
Nestes trabalhos em que o ponto de partida é um texto de alguém, procura não se aprisionar ao que está escrito. "Há um processo de interiorização e de depuração, que leva algum tempo, fica depois o essencial. Mas procuro nunca me prender muito ao texto." Acredita que o papel do ilustrador é acrescentar alguma coisa às histórias, "mas algumas têm mais que ver connosco, entramos mais facilmente naquele espírito, comunicamos mais com aquele discurso, outras menos".
O pior de tudo é os autores darem sugestões e dizerem que "gostavam de ter uma coisa assim, para uma capa, por exemplo". Às vezes isso acontece, até com pessoas conhecidas: "É terrível porque ficamos limitados à partida, ficamos reféns do que o autor imaginou na cabeça dele. Coisa que nós nunca vamos conseguir atingir."
Mas, afinal, o que é ilustrar? "Ilustrar é fazer mais uma história, é inventar mais uma das minhas histórias, mesmo que tenha como suporte a ideia de outra pessoa."
Realça mais uma vez o lado humorístico forte no trabalho que cria e diz ilustrar-se a si próprio, pelo que qualquer semelhança entre ele e os seus bonecos não será pura coincidência. "Os pintores são ilustradores de si próprios e dos seus próprios mundos. Usam todos os recursos e dispõem de total liberdade. Eu ilustro sem texto. E divirto-me imenso."
Recorda uma expressão que o seu amigo escritor António Avelar Pinho (co-autor do Clube dos 4) criou para ele: "Um escritor mascarado de pintor." E justifica-a: "Eu pinto histórias, seja na pintura ou na ilustração. Só que na ilustração tenho as histórias dos outros e na pintura é a minha história."
É metódico e passa muitas horas fechado no atelier, na Parede, "sozinho, isolado, um bicho do mato". Esta rotina é interrompida para levar as filhas à escola (uma de dez anos e outra de oito) e, ao fim do dia, para a logística familiar. "As semanas repetem-se assim. A minha vida é a pintura e a ilustração."
Ser seleccionado pelo júri da bienal, como o foi há dois anos, bastava-lhe, mas ser escolhido como o melhor entre 920 trabalhos de 50 países deixou-o surpreendido e contente. "Já teve efeitos": foi contactado por editoras espanholas da área infanto-juvenil e está em negociações para alguns projectos. Além do reconhecimento nacional, agrada-lhe a visibilidade internacional que a Ilustrarte faculta, "afinal, o catálogo vai viajar pelo mundo". Os seus bonecos também."

2005/11/21

Livrarias e outras coisas mais

Era uma vez... histórias de encantar

Há serões temáticos em que os meninos vão de pijama e saco-cama para ouvir e, também, contar histórias

Ana César Costa

"Vamos contar a nossa história", grita alegremente a Inês. Faz parte de um grupo de 30 crianças sentadas no chão da livraria Bichinho do Conto, em Oeiras. Algumas delas estão ao colo dos pais, ansiosas pela hora do conto. Tem então início o ritual. Seguindo uma sugestão de Mafalda Milhões, a contadora de histórias, todos respiram fundo até o silêncio reinar na pequena sala. É dia de ler uma história nova, chamada A-Princesa-Que-Tinha-Uma-Luz-Por-Dentro e estão presentes o autor, o ilustrador e o editor no livro.

Na Bichinho do Conto, todos os fins-de-semana, a partir das 16.00, há a Hora do Conto, geralmente com a própria Mafalda. Sempre que possível, aparecem também os autores, "pessoas que conseguem contar histórias maiores do que o mundo dentro de um livro", explica Mafalda. Durante a semana, a livraria reserva a Hora do Conto para as escolas (por marcação). O Bichinho do Conto organiza ainda serões temáticos infantis, "uma espécie de maratonas pequeninas que duram horas", em que os pais trazem os meninos vestidos de pijama e com um saco-cama quentinho. "Nesses serões temos contadores convidados, mas a piada é que pais e filhos também começaram a contar", adianta Mafalda Milhões. Foi o que aconteceu com o Simão, de sete anos, e a Rebeca, de oito, ouvintes regulares que já conseguem cativar uma plateia de 150 pessoas com as suas histórias lidas ou inventadas.

"Basta olhar para eles para perceber que o nosso trabalho está a funcionar", comenta a responsável do espaço. São crianças que se sentem "em casa", até porque aqui têm as guloseimas que gostam, sumos, groselhas, bolos e rebuçados para acompanhar a leitura.

A livraria que era botequim. Uma exposição permanente dedicada a Natália Correia faz parte, desde domingo, da livraria Pequeno Herói, à Graça, em Lisboa. Isto porque a primeira obra da autora datada de 1945 foi precisamente um livro infantil, chamado A Grande Aventura de um Pequeno Herói. E também porque a livraria está localizada no edifício do antigo botequim da poetisa, dedicado a tertúlias e conotado com o combate ao fascismo ainda antes do 25 de Abril.

O local continua a ser ponto de encontro obrigatório para quem quer ouvir uma boa história. Mas agora o que se escuta são histórias infantis interpretadas por Elsa Serra, desde sempre fascinada por livros e ela própria autora de O Senhor das Barbas Brancas.

Aberta em Fevereiro deste ano, a Pequeno Herói aposta forte na literatura infantil e juvenil, reservando apenas algumas prateleiras para os livros "de adultos".

Sentados em almofadas coloridas espalhadas pelo chão, as crianças mexem à vontade nos livros expostos, observam as ilustrações, estudam as formas das letras, con- versam e brincam. Em dez meses de actividade não houve mais do que um ou dois livros rasgados, garante Elsa, que dá mostras de toda a sua criatividade na Hora do Conto, sempre às 16.00, todos os sábados e domingos. Os alunos da zona aproveitam os dias de semana para ouvirem as suas histórias, na livraria ou até na própria escola. Uma actividade já antes concretizada pela autora e empresária através do projecto CLIC (Clube de Literatura, Ilustração e Companhia) e da Associação Histórias Desenhadas, fundada por Elsa Serra e por Margarida Fonseca Santos, com o objectivo de incentivar a leitura e a escrita, desenvolver a criatividade e promover o crescimento equilibrado da criança.

A Pequeno Herói organiza ainda ateliers de escrita criativa, ilustrações e dramatização, para alunos do pré-primário ao terceiro ciclo, divididos por temas e idades. Realiza também encontros com autores e exposições de pintores e ilustradores infantis, entre outras actividades. A ideia de trazer novos contadores às livrarias vindos de outras paragens, incluindo da Galiza, está por realizar por falta de verbas. Mas, entre sessões de contos e feiras do livro em escolas, as aventuras não param de acontecer.


A hora do conto

São 208 as bibliotecas municipais de todo o país (não incluindo as da capital) apoiadas pelo Instituto do Livro, através de 250 a 300 acções por ano inseridas no programa Itinerâncias. Só no primeiro semestre de 2005 contabilizaram-se cem acções nesta área, ou seja, formação de técnicos, espectáculos, concursos e outros eventos. Cada biblioteca é autónoma para organizar actividades como a Hora do Conto, quando um grupo de crianças se reúne para ouvir uma história contada por um animador cultural, não existindo estatísticas. Por isso é difícil calcular o número de crianças que tem acesso a um contador de histórias, figura outrora omnipresente numa comunidade. Na formação dos actuais animadores, que percorrem bibliotecas e escolas com o objectivo de incentivar o gosto pela leitura, insiste-se em "trabalhar a partir do livro, explorá-lo de diversas maneiras", explica Maria Cabral, do departamento de Promoção da Leitura.

Ouvir ler e interpretar uma história é mais do que estimular a imaginação das crianças. É cativá-las para a leitura em si mesma, seja de um conto, seja, mais tarde, de um texto técnico. E é uma actividade tão mais importante quando se sabe que, em 30 países da OCDE, Portugal é o 28.º em número de leitores. "A maior parte sabe ler (juntar letras) mas grande parte acima dos 15 anos não atinge o nível 2 de literacia, isto é, não consegue compreender o que está escrito", constata a técnica. "O público português não é um público leitor", confirma a proprietária da Bichinho do Conto, que indica que, noutros países europeus, "a hora do conto é obrigatória nas escolas". Também em Portugal, iniciativas como esta podem ajudar a aumentar o número de leitores e subir o nível de literacia entre a população.~




Incentivar os novos leitores e criar hábitos de leitura desde cedo

A Bichinho do Conto, na Fábrica da Pólvora, em Oeiras, é a primeira livraria totalmente dedicada às crianças em Portugal. Um espaço que nasceu há três anos "da vontade de querer estar próxima e querer formar leitores", explica Mafalda Milhões, editora, livreira e também autora e ilustradora de Perlimpipim, Perlimpimpão. Transmontana, quis trazer para a capital "a tradição dos contadores de histórias", uma herança familiar legada pelo avô, que era contador de histórias e pela mãe, professora primária que recorria às histórias para explicar os problemas de matemática.

Contar histórias a crianças que nunca abriram um livro é o propósito de Mafalda, responsável pela introdução da hora do conto na maior parte das bibliotecas de Oeiras. No entanto, o seu objectivo é "abrir no interior", esperando que o exemplo da Bichinho do Conto sirva de inspiração a mais pessoas.

Também Elsa Serra, da livraria Pequeno Herói, na Graça, quer partilhar com os mais novos o prazer de folhear um livro, de o ler e interpretar. Explorar "a escrita ou a dimensão da leitura" é o que motiva a responsável, com alguns anos de currículo na área da literatura infantil.

O aparecimento de espaços como estes vem confirmar uma tendência de mercado já descoberta pelas boas livrarias, que dedicam aos mais novos pequenas mesas e cadeiras rodeadas de livros coloridos, que se tornam tão apelativos como outras brincadeiras. É o caso da Fnac, Bulhosa, Almedina, Bertrand e outras. Mas a Pequeno Herói ou a Bichinho do Conto vão mais além, ao organizarem encontros, ateliers e outros eventos específicos para este público.

Para muitos, "é um primeiro contacto com o universo da leitura", considera Marcelo Teixeira, coordenador editorial da Oficina do Livro. Um contacto a aprofundar, uma vez que "vai havendo uma oferta cada vez maior por parte das editoras, não só no número, mas na qualidade desses livros".

Numa sociedade que vive da imagem e onde a predominância de filhos únicos com bastante poder de decisão, "os livros têm que ser vendidos de outra maneira", defende o editor. A par da descoberta de novos autores, Marcelo Teixeira destaca o aparecimento de "um leque de belíssimos ilustradores" que dão forma e cor às histórias infantis.


A ficha

BICHINHO DO CONTO

Morada. Fábrica da Pólvora de Barcarena, Edifício 25, Barcarena, Oeiras

Tel. 214 303 478

PEQUENO HERÓI

Morada. Largo da Graça, 79 Lisboa

Tel. 218 861 776



2005/11/05

"Histórias para Contar em 1 Minuto e 1/2"

"Estava feito a primeira pergunta do teste. Em seguida, outra qual foi a de que mais gostaste? E aí a resposta foi mais complicada: "Não sei..." Não sabes porquê? Depois de pensar um pouco disse que era difícil escolher uma única porque tinha gostado de várias. E aí a conversa divergiu para outros assuntos, afinal nenhum jovem normal tem paciência para aturar um inquérito com o objectivo de sanar as dúvidas de um adulto que pretende escrever sobre o volume em causa.

A verdade é que este Histórias para Contar em 1 Minuto e 1/2 tem um andamento que cativa a atenção dos leitores a quem se dirige. A velocidade intencional da escrita e os desenlaces de cada historinha proporcionam à criança uma voracidade em saber o meio e o fim, num timing muito conseguido. Isabel Stilwell - com a colaboração especial de dois filhos e das ilustrações de Marta Torrão - desarvora de folha em folha, cativando o interesse dos miúdos sem grandes dificuldades. Até porque escreve sobre temas que os desenhos animados que estão na moda ignoram - bem como muitos dos livros infanto-juvenis - e recupera parte de um imaginário que tantas crianças ouviram e leram durante décadas. Com uma vantagem a actualidade do mundo em que vivem está lá, há bruxas e pesadelos, mas também existem computadores e extraterrestres. Ou seja, mais que um conjunto de histórias para adormecer, são uma feliz explicação da vida."

2005/10/14

Ainda sobre Harry Potter

Continuamos o aqui iniciado:

Quando sai o próximo?

Maria João Caetano

Harry Potter e o Príncipe Misterioso, tradução portuguesa do sexto volume de Harry Potter, chega esta noite às livrarias, mas, por estes dias, J. K. Rowling já deve estar a alinhavar as páginas do sétimo e último livro da saga.Na única entrevista que concedeu a propósito do lançamento de Harry Potter and the Half-Blood Prince (entrevista feita por um fã, Owen Jones, e transmitida no canal inglês ITV a 17 de Julho), a autora revelou ter sentimentos ambíguos em relação ao anunciado final da série "Apesar de estar há 15 anos à espera deste momento, penso que será um choque", disse.Dividida entre a sensação de "dever cumprido" e o provável vazio que vai sentir por não ter de escrever mais sobre o pequeno feiticeiro, a escritora enfrentará, então, um desafio porventura maior do que o de criar o universo fantástico por onde se move Potter mostrar ao mundo que existe para além do fenómeno que a tornou popular e que o seu talento não se esgota com Potter. Desde 1997, data de edição de Harry Potter e a Pedra Filosofal, que J. K. Rowling deixou de dar aulas para se dedicar inteiramente à escrita. Fã de Jane Austen e admiradora de autores como E. Nesbit, Dodie Smith ou C. S. Lewis, Row-ling tornou-se a escritora preferida dos jovens de todo o mundo. Cada livro vende mais do que o anterior, gera mais expectativas e é acompanhado por uma campanha de marketing sempre mais original. 24 horas depois de ter sido lançado, tinham sido vendidos 6,9 milhões de exemplares de Harry Potter and the Half-Blood Prince nos Estados Unidos e mais de dois milhões no Reino Unido. Portugal. Por cá, os números também são surpreendentes. O primeiro Harry Potter chegou às lojas com uma modesta primeira edição de dez mil exemplares. Para o Príncipe Misterioso, a editora anuncia "a maior edição de sempre em Portugal" 150 mil exemplares estarão esta noite à venda por 19 euros . Alguns dos que vão comprar agora a versão portuguesa terão já lido a versão original: nove mil exemplares de Harry Potter and the Half- -Blood Prince foram vendidos em Portugal no primeiro fim-de-semana (15-17 de Julho). A FNAC garante que até agora, em todas as suas lojas, se terão vendido pelo menos dez mil exemplares do sexto livro em inglês. Não admira, portanto, que a livraria virtual Amazon.com tenha recentemente eleito Rowling como a autora que mais vende - mesmo se comparada com outros grandes sucessos (como Dan Brown) ou com clássicos (como Shakespeare). Estratégia. Além dos livros, há os filmes, os jogos de vídeo e até os discos. Lançada a 22 de Agosto, a edição áudio de Harry Potter and the Half-Blood Prince, com voz de Stephen Fry, tem uma duração superior a 21 horas, mas isso não parece ter afastado os fãs mais de dois milhões de cópias foram vendidos só no primeiro dia.De acordo com Stephen Brown (no livro Wizard! Harry Potter Brand's Magic) a marca Harry Potter é tão reconhecida quanto o símbolo da Nike ou os arcos dourados da McDonald's. O que se traduz, obviamente, em dinheiro. Na sua declaração de IRS de 2003, J. K. Rowling anunciava ter ganho seis vezes mais do que a rainha de Inglaterra e, de acordo com a listagem anual da revista Forbes, a sua fortuna está agora avaliada em qualquer coisa como mil milhões de dólares.Ao mesmo tempo que surgem discussões sobre se Harry Potter se vai tornar um "clássico" da literatura infanto-juvenil, como Peter Pan, Robinson Crusoé e Huckleberry Finn, ou se a sua autora vai conquistar um lugar na história da literatura, ao lado de Robert Dahl ou Enid Blyton, a maioria dos críticos prefere sublinhar todo o lado publicitário associado aos livros e que parece mesmo contaminar a estratégia criativa da autora.Veja-se, por exemplo, o facto de a publicação dos novos livros estar sempre envolta no maior secretismo. Os fãs que fazem filas nos lançamentos estão ansiosos por saber o que vai acontecer e ninguém tem acesso à história antes de ela estar nos escaparates. J. K. Rowling gosta de dizer que não se trata de um capricho ou de uma qualquer estratégia de marketing. "Não ganho nada a não ser a satisfação de saber que os leitores ficam contentes com isto. Acredito verdadeiramente que 99,9 por cento dos meus leitores preferem ler os livros e descobrir eles mesmos o que vai acontecer." Pode até ser, mas, para garantir a avidez dos leitores, ao contrário do que aconteceu nos três primeiros livros, onde as histórias eram bem resolvidas, a partir do quarto volume J. K. Rowling termina cada livro deixando propositadamente muitas perguntas por responder e enigmas por resolver. Esta estratégia é particularmente visível no Príncipe Misterioso, considerado por muitos críticos (e até pelos fãs) como um dos mais fracos da série. É o caso de John Mullen, que escreveu nas páginas do The Guardian que Rowling "está tão concentrada na concepção da série que a narrativa deste livro específico deixou de ser uma preocupação". Ou Henry Sutton, do Daily Mirror "O enredo parece ter como único objectivo lançar as fundações para o sétimo e último volume." Do ponto de vista comercial, a estratégia não podia ser melhor: depois de ler Harry Potter e o Príncipe Misterioso, a pergunta que se impõe é "Quando sai o próximo?"
A feitiçaria é velha, as paixões são novas
Susana Salvador
Harry Potter e o Príncipe Misterioso tem tudo o que os cinco livros anteriores têm feitiços, poções, Quidditch, mistérios, duelos, mortes... Mas tem também algo que até agora tinha sido mais ou menos contido hormonas, muitas hormonas. O novo livro de J. K. Rowling transborda de romance - afinal, Harry Potter é já um adolescente de 16 anos, ao qual só faltam problemas com as borbulhas. Hogwarts ainda não é o Colégio da Barra da série Morangos com Açúcar, mas uma cena de ciúmes é sempre uma cena de ciúmes, seja no mundo da feitiçaria ou no dos muggles. Para os fãs, contudo, o romance não atrapalha - J. K. Rowling tem o mérito de conseguir criar uma personagem que cresce verdadeiramente de livro para livro, e com a qual os leitores que acompanham esse crescimento se podem identificar. Os problemas de identidade ou as dúvidas amorosas são universais, ultrapassando o mundo fantástico criado pela escritora inglesa em Hogwarts. O que mais importa aos fãs é mesmo encontrar as respostas para as muitas questões deixadas em aberto nos outros livros da série. Mas Rowling não quer desvendar o grande mistério antes do próximo e último livro, levantando o véu apenas sobre o essencial para manter mais uma vez o leitor atento da primeira à última página, e deixando no ar muitas mais questões. A vontade quando se acaba de ler Harry Potter e o Príncipe Misterioso é ir a correr à loja comprar o próximo (o que muito deve agradar aos editores)... mas ainda é preciso esperar. Para já, os fãs podem apenas descobrir quem é o "Príncipe Misterioso". Uma tradução de Half- -Blood Prince - expressão que anteriormente foi traduzida literalmente por "meio-sangue" ou "mestiço" -, que não agrada a todos os fãs. O desejo de não usar uma expressão com conotações discriminatórias, para a qual a própria Rowling alertou, pode ser de saudar, mas a solução encontrada não faz jus ao livro.Numa altura em que não precisa mais cativar o leitor para o universo fantástico de Harry Potter - os fãs já estão rendidos -, Rowling não perde, contudo, o rigor aos pormenores do mundo que inventou e que não pára de reinventar. Feitiços simples como Expelliarmus ou Petrificus totalus já são banais no léxico potteriano, mas surgem no sexto livro lado a lado com o mortal Sectumsempra. O que os fãs querem agora saber é qual será o feitiço mortal usado na derradeira batalha que se espera entre Harry Potter e Voldemort.Esta crítica foi efectuada a partir da versão original do livro.
Harry potter e o príncipe misteriosoAutor. J. K. Rowling
Editora. Editorial Presença
Páginas. 512
Preço. 19

2005/09/28

A Fábula - Programa

10.00

António Manuel Ferreira

Uma Fábula, de António Franco Alexandre

10.30

Isabel Cristina Rodrigues

Cão como o homem. O cão como metáfora da condição humana em Vergílio Ferreira

11.00

Sara Augusto

A multiplicação das fábulas na ficção narrativa de Soror Maria do Céu

11.30

Luciano Pereira

A fábula, um género alegórico de proverbial sabedoria

12.00 Intervalo

15.00

Ana Paiva Morais

Histórias do ínfimo - fabula e a fábula na Idade Média: entre o fabuloso e o obscuro

15.30

Eugénia Pereira

Les Fables de La Fontaine et ses illustrations ou les enjeux de l’interprétation

16.00

Fátima Albuquerque

A Fábula para a Infância: sedução e transgressão no bestiário encantado

16.30

Paula Fiadeiro

Fábulas e efabulações no moralista D. Francisco Manuel de Melo

2005/09/05

The Brothers Grimm, de Terry Gilliam

"Ledger e Damon interpretam os irmãos Will e Jacob Grimm, que não são propriamente os famosos autores homónimos de contos de fadas (embora um deles tenha um livro onde vai anotando histórias e lendas populares), já que preferem o conto do vigário. Os Grimm percorrem a Alemanha invadida por Napoleão fingindo ser peritos no combate a espíritos e assombrações. Investigam as superstições locais, recriam-nas com a ajuda de dois comparsas e alguns efeitos rudimentares, e uma vez os campónios aterrorizados, propõem os seus serviços às autoridades mediante uma boa recompensa. Depois, combatem e vencem a "entidade sobrenatural" e passam à próxima cidade. Só que um dia, numa aldeia onde as crianças do sexo feminino começam a desaparecer umas atrás das outras, os irmãos Grimm deparam com algo que vai muito para além das suas montagens para assustar aldeões e engordar os bolsos.

DESIGUAL. As vicissitudes de produção deixaram marcas visíveis em The Brothers Grimm. O filme pedia várias tesouradas, dispersa-se muito, tem demasiadas sequências no limite do frenético, algumas personagens caricaturais em excesso (até mesmo ridículas, como o general francês de Jonathan Pryce) e nem sempre encontra o tom certo entre a comédia slapstick e o terror, embora esta palha hollywoodesca deva ser mais culpa do argumento de Ehren Kruger do que do realizador. Em compensação, e tal como já havia feito em Brazil e A Fantástica Aventura do Barão, Gilliam constrói um novo ambiente fantástico "orgânico", que parece ter existência própria, em vez de ser mais uma sofisticada colagem de adereços e efeitos digitais uma floresta encantada.

É neste bosque mágico, dominado pela torre da rainha má morta de peste há muitos séculos, percorrido por um lobisomem e assombrado por árvores vivas, insectos repelentes e corvos hostis, que Terry Gilliam puxa pelos seus galões cinematográficos e instala uma atmosfera de conto de fadas de cortar à faca. The Brothers Grimm, aliás, tem cosidas citações a vários contos de fadas, desde O Capuchinho Vermelho a Hensel e Gretel, mas de forma a contribuírem para o enredo, para adensarem uma sequência de terror (como a do Homem de Gengibre feito de lama e com olhos humanos) ou darem impacto visual, e não apenas para lá estarem penduradas e mostrarem que o argumentista e o realizador sabem do que estão a falar.

TERROR. Terry Gilliam explicou na conferência de imprensa que pretendeu, em The Brothers Grimm, recriar a "escala humana dos contos de fadas, que são protagonizados por pessoas reais, em vez de tentar criar por computador o edifico mais alto de todos ou o monstro mais assustador", e conseguiu o que desejava. Tal como conseguiu que o filme recordasse ao espectador que os contos de fadas tendência irmãos Grimm têm uma forte componente de terror. Os melhores momentos de The Brothers Grimm são precisamente os que estão mais colados à realidade arrepiante e sangrenta daquelas histórias, como o do cavalo que engole a criança no estábulo depois de a prender numa teia que lhe saiu da boca, ou as sequências em que a rainha ainda está mumificada no leito mas já regressou ao seu esplendor sensual na reflexão do espelho (o lobisomem, esse, é francamente banal e obviamente digital).

Um filme como este não é feito para que os seus actores brilhem, e a verdade é que alguns deles são prejudicados pelas personagens, como o torcionário italiano de opereta rasca que saiu na rifa a Peter Stormare. Dos dois irmãos Grimm, Heath Ledger dá muito mais nas vistas do que Matt Damon, não só porque o pentearam melhor, mas também porque se deu ao trabalho de arranjar um sotaque (muito Monty Python) para a personagem. Monica Bellucci não podia ter sido mais bem escolhida para fazer a rainha, sugerindo no tom exacto todo o poder maléfico oculto sob a sua beleza sobrenatural. Não admira que faça sangrar, literalmente, o coração de qualquer homem que se chegue a ela. [...]"

2005/08/13

Astérix em Mirandês

Eilhes tornán an Mirandés!

Livro de Astérix tem finalmente autorização para ser editado no dialecto de Miranda Aventuras do herói gaulês já são lidas em 110 línguas

"A tradução em mirandês do livro "Asterix, L Goulés" (o título traduzido no dialecto) já tem data marcada para a sua apresentação pública a iniciativa vai decorrer no próximo dia 15 de Setembro, no El Corte Inglês, em Lisboa. Um mês depois estará a disposição dos leitores nas livrarias nacionais. Entretanto, o novo álbum original - provavelmente o último - é lançado em todo o mundo no dia 14 de Outubro (ver outro texto).

A tradução do álbum foi feita há cerca de três anos pelo escritor e investigador da língua mirandesa Amadeu Ferreira. Nos últimos meses procedeu a uma revisão e aperfeiçoamento dos textos iniciais, que contaram com a colaboração de Carlos Ferreira e Amadeu Ferreira, havendo ainda uma colaboração de António Santos, um apaixonado por banda desenhada que ajudou o autor a entender alguns aspectos da chamada 9.ª Arte.

Divulgar a 'lhéngua'

Inicialmente registaram-se diversos entraves com uma primeira editora que detinha os direitos de tradução, mas a situação foi ultrapassada, cabendo agora à editora ASA os direitos sobre a edição traduzida na "lhégua".

Entretanto as demoras surgidas na edição, tal como o JN já tinha adiantado, não são imputadas aos tradutores - apesar de haver expectativa quanto ao trabalho realizado não ser apresentado na data inicialmente pensada, garante Amadeu Ferreira.

Os livros do Astérix e do seu amigo Obélix estão actualmente traduzidos em 110 línguas e dialectos espalhados por todo o mundo, sendo esta tradução um passo importante para a divulgação da língua mirandesa, que se manteve isolada durante séculos nas aldeias do concelho de Miranda do Douro, e parte do concelho de Vimioso, sendo apenas transmitida de geração em geração por via oral. Actualmente a língua mirandesa está confinada a um universo de sete mil falantes de acordo com os últimos censos.

Segundo Amadeu Ferreira, terminada a tradução em várias língua nacionais, essa divulgação poderia continuar através da tradução das obras de Goscinny e Uderzo em línguas minoritárias - um factor importante para a sua divulgação.

"O mirandês entra para o mundo do herói Gaulês não como uma língua isolada, mesmo sendo minoritária, mas acompanhando todo um conjunto de outras línguas universais", revelou Amadeu Ferreira ao JN.

Nas várias edições livrescas de Astérix publicadas nas mais diversas línguas, na contracapa dá-se sempre nota das línguas em que a banda desenhada está traduzida, o que vem dar um novo alento ao mirandês - levando, assim, milhões de leitores a saber da existência de uma língua que se mantém viva num rincão do nordeste transmontano.

Agora, as crianças das terras de Miranda também poderão dar gargalhadas com as aventuras e desventuras da turma de Astérix na sua cruzada contra os romanos e aos mesmo tempo apanharem o gosto por uma língua que já é disciplina opcional na escolas do concelho de Miranda do Douro, uma região do país que se pretende bilingue.

Como nota final, só os nomes de Astérix e Obélix se manterão na sua forma original; os outros personagens terão nomes diferentes, adaptando o nome originário latino, e seu significado, ao mirandês.” (Francisco Pinto)

2005/08/11

Charlie e a Fábrica de Chocolate

"O livro de Roald Dahl está traduzido para português, com edições na Caminho (1991, na ilustração) e, mais recentemente na Terramar. Entre outros, estão também traduzidos James e o Pêssego Gigante, As Bruxas ou Matilde (Terramar), todos também já filmados. Tim Burton é um realizador americano esgrouviado que vive num planeta só dele, de onde sai de vez em quando para fazer filmes sobre almas penadas (Beetlejuice), rapazes com mãos cortantes (Eduardo Mãos de Tesoura), invasões de marcianos verdes (Marte Ataca!) ou filhos desavindos com os pais e às voltas com peixes gigantes (O Grande Peixe).

Roald Dahl era um respeitável senhor britânico que escrevia livros infantis em que as crianças maltratadas ou desprezadas por adultos acabavam por os castigar, não sem antes terem andado a correr mundo em frutas descomunais (James e o Pêssego Gigante) depois de os pais serem atropelados por rinocerontes, sido transformadas em ratinhos brancos por bruxas (As Bruxas) ou frequentado escolas de pesadelo (Matilde).

Irmãos em imaginação desmesurada e insólita, em humor negro e em alergia ao mundo quotidiano, banal e feio que trata mal as pessoas especiais, Burton e Dahl encontraram-se os dois à esquina (em espírito, claro) quando o primeiro produziu, em 1996, a animação James e o Pêssego Gigante, de Henry Selick.

Agora, Tim Burton revisita Roald Dahl em James e a Fábrica de Chocolate, adaptação de um dos mais bem-amados livros do escritor, já filmado por Mel Stuart em 1971. Mas entre esta versão e a de Burton, vai a distância entre uma pastilha elástica albanesa e uma tablete de chocolate suíço.

Burton pegou na história de Dahl e, respeitando-a quase na íntegra, afeiçoou-a à sua weirdness gótico-poético-enviesada. O pequeno Charlie Bucket (Freddie Highmore, de Em Busca da Terra do Nunca) é sossegado e muito bem-educado. Vive com a família numa casa construída pelo arquitecto do Dr. Caligari num dia em que bebeu de mais, numa cidade industrial saída de um livro de Charles Dickens, com a mãe, o pai e os quatro avós, que nunca saem da cama. A família Bucket é tão pobre que o jantar é sempre sopa de couve (nunca há almoço). A cidade é dominada pela estrutura da fábrica de chocolates Wonka, os melhores do mundo, propriedade do invisível e recluso Willie Wonka.

Um dia, Wonka faz saber que pôs cinco "bilhetes dourados" em cinco tabletes. As crianças que os acharem ganham uma visita guiada à fábrica. Quatro vão parar às mãos de outros tantos pequenos monstros um glutão, uma gananciosa, uma hipercompetitiva e um junkie de TV e jogos de vídeo. O quinto é descoberto por Charlie. E uma manhã, as cinco crianças, cada uma acompanhada por um parente, são recebidas pessoalmente por Willie Wonka.

Tim Burton realiza Charlie e a Fábrica de Chocolate como se fosse uma combinação de guloseima cinematográfica psicadélica para os olhos lamberem até se fartarem, de jornada por um mundo secreto, fantástico e nonsense, e de conto moral tradicional satírico, em que as crianças mal-educadas são elaboradamente humilhadas e castigadas, e as bonzinhas vastamente recompensadas. Cada criança tem direito a uma canção-tema, com as letras originais de Dahl, músicas spaced out de Danny Elfman e coreografias cinéfilo-pop/rock de Burton. (Não, garanto que não comi nenhum chocolate com comprimidos esquisitos misturados.)

A cereja bizarra no topo deste bolo é Willie Wonka, que Johnny Depp interpreta como um travesti de Audrey Tautou com o penteado do falecido Rolling Stone Brian Jones, o guarda-roupa de Austin Powers e os modos de Michael Jackson, menos os impulsos pedófilos; e servido por um exército de Oompa-Loompas, os anões que fazem tudo na fábrica, vividos pelo diminuto actor indiano Deep Roy mil vezes multiplicado por computador.

A única fuga grave de Tim Burton à letra do livro é uma explicação inventada para a paixão chocolateira de Wonka o pai era um dentista antidoces. O escritor teria perdoado a liberdade ao realizador, se soubesse que o pai severo é interpretado pelo magnífico Christopher Lee como um conde Dooku da odontologia." (Eurico de Barros)

2005/07/23

"Triângulo Jota" de Álvaro Magalhães na TV

Aqui fica o resto da notícia do JN de hoje, assinada por João Quaresma:


"Planos mais elaborados

A série "Triângulo Jota" está a ser filmada como se fosse cinema. "O que adianta salientar neste aspecto é que nós estamos a usar uma linguagem cinematográfica, estamos a construir sequências, a fazer planos mais elaborados, muito diferente das 'talking heads' como dizem os americanos da linguagem usada nas telenovelas", esclarece Artur Ribeiro, para quem esta é "uma oportunidade de poder manter-se mais ou menos a fazer cinema, mas para televisão".

O trio de heróis da história, "Joana", "Joel" e "Jorge", estão no Ensino Secundário - 8º, 11º e 12º anos. A Rita e os dois Pedros na vida real dizem-se todos muito confortáveis ao fim de alguns meses de filmagens, que alternam com os tempos lectivos.

Todos estão em consonância com o ambiente que se vive com toda a equipa e do gozo que lhes está a dar participar na série. De outro modo, "já não estávamos aqui", lança Pedro Roquete. Mesmo agora, já em tempo de férias, Rita salienta que não fazia " a mínima ideia que pudesse ser tão cansativo".

Um pouco como peixe na água, devido aos muitos anos de experiência, Mário Moutinho interpreta no episódio "A rapariga dos anúncios" - cujas gravações o JN acompanhou -, o papel de um taxista, pessoa simpática que, no final, surge como o tenebroso mestre de uma seita demoníaca secreta.

"Estou confiante que esta vai ser uma série boa, por diversos motivos primeiro porque o Henrique Oliveira, de cada vez que faz ficção, consegue sempre qualidade, com uma marca, uma personalidade de própria; o realizador, que já conheço há anos, parece-me que está a dirigir isto com muita sensibilidade; por último, temos uma equipa técnica que dá garantias", diz o actor já com 30 anos de carreira.

Preocupação com qualidade

Para o também director do FITEI, as produções com a chancela da HOP! ("Major Alvega" e "Claxon"), "têm aquilo que muitos produtos de televisão não conseguem - devido à emergência - que é um investimento na qualidade, uma preocupação com o produto final, com o rigor, daí a repetição muitas vezes exaustiva das cenas".

E, prossegue, "neste caso do 'Triângulo Jota', há, obviamente, a escrita do Álvaro Magalhães, uma pessoa que escreve muito bem. Tudo reunido, estou convicto que vai ser uma série de grande sucesso". E estava chegada a hora de Mário Moutinho tomar o lugar em frente à mesa dos sacrifícios para gravar a cena final do episódio que contava com a participação da maioria dos intervenientes neste projecto."

2005/07/19

Novo Harry Potter

"Literatura - penúltimo volume da colecção é um fenómeno

Potter é o mais vendido de sempre

E às primeiras 24 horas de exposição já era o maior recordista de vendas de sempre nos Estados Unidos e Reino Unido: ‘Harry Potter and the Half-Blood Prince’, o penúltimo da colecção, ainda sem versão portuguesa mas por pouco tempo.

Contactada a Presença, editora que representa entre nós J.K. Rowling, a autora dos sete volumes que concluem a saga do pequeno aprendiz de feiticeiro, temos novidades: o manuscrito original está desde ontem na editora, seguindo-se agora o processo de leitura e revisão, tradução e composição que sempre antecede cada novo livro. Todo este trabalho está a cargo da equipa de Isabel Nunes, a mesma que já tratou do antecessor. Entretanto, prepara-se o megaevento, ainda no segredo dos deuses, para Outubro.

O novo ‘Harry Potter’, ainda sem título nem preço conhecidos, tem data de lançamento prevista para o final do mês de Outubro e o número de exemplares da primeira edição não está ainda calculado mas “não andará muito longe dos 100 mil relativos ao título anterior (‘Harry Potter e a Ordem da Fénix’)”, adiantou ao CM Inês Mourão, da editora.

Foram 6,9 milhões de exemplares só nos Estados Unidos (a somar a dois milhões no Reino Unido), fez saber, de imediato, a editora responsável pelo lançamento local, a Scholastic: “Mais uma vez, ‘Harry Potter’ fez História”, lia-se em comunicado, onde se adiantava já uma segunda edição a caminho.

Encomendas ‘on line’ também já ‘fecharam’, repetindo, assim, o fenómeno das livrarias, mais de uma dezena de países, que abriram à meia-noite do dia 16, à semelhança de edições anteriores, sendo que, 24 horas mais tarde, ‘fechavam’ as portas ao sexto de sete livros que uma autora e um marketing competentes transformaram num sucesso de vendas sem precedentes.

J. K.Rowling, cuja fortuna conseguida com a saga de Harry Potter a dá como a mulher mais rica do Reino Unido, há muito que anunciou o fim da colecção mas nem por isso deixa de sofrer por antecipação a despedida.

No sábado, em entrevista a uma estação de televisão britânica, Rowling confessou a ambiguidade de sentimentos: “Vai ser um choque. Adorei escrever e o fim é inevitável mas, sei, vai ser um choque. O futuro passará, obrigatoriamente, pelo pseudónimo”, disse."
Correio da Manhã, 19 de Julho de 2005, Jonalista Dina Gusmão

2005/07/18

3ª Jornadinha e 11ª Jornada Nacional de Literatura - Passo Fundo (RS), Brasil

O escritor Ignácio de Loyola Brandão, coordenador dos debates da Jornada, explica que a Jornada tem um caráter multiplicador com a participação intensa de professores e jovens que realmente foram preparados para o evento: "Na minha primeira palestra, há várias edições, eu recebi 280 perguntas por escrito. Eu já viajei muito mas não conheço outro evento literário como esse na Europa, Estados Unidos ou América Latina. Deveria entrar para o Guiness".

Para o secretário de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, Roque Jacoby, a Jornada é o exemplo de que o livro "é realmente o melhor meio de que a sociedade dispõe para aprimorar o cidadão". Oswaldo Siciliano, presidente da Câmara Brasileira do Livro, explicou que a CBL dará todo o apoio ao evento: "A Jornada de passo Fundo é um exemplo a ser seguido por todos os municípios brasileiros, pois prova que com empenho, planejamento e o trabalho em conjunto dos setores público e privado a difusão do hábito de leitura no Brasil é plenamente possível".

São Paulo terá um envolvimento especial com a 11a Jornada. O Sesc São Paulo desenvolverá um trabalho em suas unidades e a secretaria Estadual da Educação incentivará seus estudantes do Ensino Fundamental para participarem do concurso 9º Concurso Josué Guimarães sobre a obra do escritor Hans Christian Andersen.

A cada edição bienal a Jornada atrai um número maior de autores e leitores. De um tímido começo, há 24 anos, quase restrito a uma iniciativa acadêmica, a Jornada atinge hoje mais de 20 mil participantes diretos, e seus fóruns de discussão tornaram-se referência no mundo literário, conferindo grandeza ao evento e subscrevendo a história de Passo Fundo como o cenário das Letras no País. Além de pré-jornadas organizadas como preparação para o evento no Rio Grande do Sul e em outros estados, duas semanas antes acontece o Festerê Literário, com várias manifestações culturais em vários pontos de Passo Fundo.

Outros autores internacionais confirmados: Mauro Maldonato (Itália), Mia Couto (Moçambique), Ronald Jobe (Canadá), Tassadit Yacine (Marrocos/França), Carlos Reis (Portugal) e Antonio Yebra (Espanha). Entre os diversos escritores nacionais também participarão Frei Betto, José Castello, Moacyr Scliar, Marisa Lajolo, Nelson de Oliveira, Lobão e Daniel Piza.

Promovida desde 1981 pela Universidade de Passo Fundo (RS), a Jornada deste ano, com o tema Diversidade Cultural - o diálogo das diferenças, acontece entre os dias 22 e 26 de agosto, e traz uma série de novidades, a começar pela a realização do Encontro Nacional da Academia Brasileira de Letras que, pela primeira vez na história, ocorrerá fora de sua sede. A Jornada inclui o 4º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio e o Seminário Nacional de Jornalismo Cultural, além da oferta de 30 diferentes cursos livres de literatura, formação de leitores, dramaturgia, publicidade, língua, cultura surda, samba, pintura e língua estrangeira. Destaca-se ainda a 3ª Jornadinha Nacional de Literatura, dedicada ao público infanto-juvenil.

A 11ª Jornada inova também nos prêmios. Neste ano, o 4º Prêmio UFP Zaffarini & Bourbon de Literatura conferirá R$ 100 mil para o melhor romance em Língua Portuguesa publicado entre junho de 2003 e 30 de maio de 2005. Autores de contos inéditos têm a oportunidade de participar do 9º Concurso Josué Guimarães, com prêmios de R$ 5 mil e R$ 3 mil para primeiro e segundo colocados. Alunos da 4ª, 5ª e 6ª séries podem se inscrever ao Prêmio Hans Christian Andersen, fazendo releituras do renomado contista dinamarquês, com prêmio de uma viagem à Dinamarca de uma semana (incluindo a capital Copenhagen e a cidade de Odense, onde nasceu o escritor. Para os estudantes de Publicidade e Propaganda foi lançado um concurso exclusivo, premiando também com uma viagem a Copenhague a melhor campanha sobre a obra do autor de histórias inesquecíveis como O Patinho Feio, O Soldadinho de Chumbo, João e Maria e a Roupa Nova do Rei, clássicos da literatura infantil.

O bicentenário de Andersen, os 400 anos de Miguel de Cervantes Saavedra, criador de Dom Quixote de La Mancha, obra-prima da literatura universal, e o centenário do consagrado Érico Veríssimo, autor da trilogia O Tempo e o Vento serão reverenciados durante a 11ª Jornada, em diferentes homenagens durante os cinco dias do evento.

Encontro Nacional da Academia Brasileira de Letras

Reinventando os Clássicos é o tema do Seminário da Academia Brasileira de Letras (ABL) que, pela primeira vez em sua história, realizará um encontro fora de sua sede, no Rio de Janeiro. Pelo menos nove acadêmicos já confirmaram presença para os três dias de debates sobre a influência dos grandes clássicos em suas obras.

O Seminário será aberto pelo escritor Ivan Junqueira, presidente da ABL, com o painel Manuel Bandeira e a Consciência Poética. Carlos Drummond de Andrade e Gonçalves Dias serão os temas do segundo dia do encontro, com a participação dos acadêmicos Ana Maria Machado, Antônio Carlos Secchin e João Ubaldo Ribeiro. No encerramento, Alberto da Costa abordará O Ateneu, de Raul Pompéia, uma das mais significativas obras do realismo brasileiro. Arnaldo Niskier falará sobre O Olhar Pedagógico de Machado de Assis e Carlos Heitor Cony apresentará sua visão da obra Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.

3ª Jornadinha Nacional de Literatura

Com atividades diversificadas, sempre de acordo com a faixa etária, a Jornadinha de Literatura chega à sua terceira edição já como sucesso absoluto. Dirigida a estudantes da 1ª série do Ensino Fundamental até alunos do Ensino Médio, o evento permite a completa interação das crianças e dos jovens com o mundo das letras. Encontros com escritores, sessões de histórias contadas, teatro, dança, música e debates fazem parte da programação, que traz o mesmo tema do painel principal: Diversidade Cultural - o diálogo das diferenças.

4º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio

Evento paralelo da 11ª Jornada de Literatura, o 4º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio vai reunir teóricos de várias partes do mundo, a exemplo do que ocorreu em sua primeira edição, em 2002, na Universidade de Extremadura, na Espanha. Os debates incluem temas como cultura, leitura, patrimônio cultural, língua e literatura e já têm confirmadas as presenças de Ronald Jobe, da Universidade de Columbia, Gabriel Nuñez, da Universidade de Almeria, Pedro Cerrillo Torremocha, da Universidade de Castilla La Mancha, Marta Morais, da PUC do Paraná e da escritora e acadêmica Ana Maria Machado, entre outros.

Seminário Nacional de Jornalismo Cultural

Promovido em conjunto com a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), o evento vai discutir as diferenças regionais, o jornalismo de Cultura, de Variedades, de Artes e de Espetáculos, em painéis coordenados por profissionais dos maiores jornais e revistas culturais do país.

Outras atrações

Durante os cinco dias da 11ª Jornada, Passo Fundo abrigará uma dezena de atrações artísttas, en re elas apresentações de Arthur Moreira e a pré-estréia do show de Antônio da Nóbrega, que só entrará em cartaz no circuito tradicional em setembro, além de performances ligadas ao tema da diversidade cultural.

Serviço
11ª Jornada Nacional de Literatura
Data: 22 a 26 de agosto de 2005
Local: Circo da Cultura
Passo Fundo - RS

· Inscrições

As inscrições estarão abertas a partir do dia 1º de junho e devem ser feitas exclusivamente pela internet no endereço www.jornadadeliteratura.upf.br . Foram criadas três diferentes modalidades de inscrição, que incluem a participação exclusiva na 11ª Jornada, ou a sua combinação com um ou mais eventos.

MODALIDADE 1
Participação exclusiva na 11ª Jornada Nacional de Literatura
Inscrição individual - R$ 80,00
Inscrição coletiva -- R$ 600,00 (reunião de 10 participantes - R$ 60,00 por pessoa)

MODALIDADE 2
Participação na 11ª Jornada Nacional de Literatura e um curso opcional
ou participação na 11ª Jornada Nacional de Literatura e no Encontro Nacional da Academia Brasileira de letras: revisitando os clássicos
ou participação na 11ª Jornada Nacional de Literatura e no Seminário Nacional de Jornalismo Cultural
Inscrição individual - R$ 85,00
Inscrição coletiva -- R$ 650,00 (reunião de 10 participantes - R$ 65,00 por pessoa)
.
MODALIDADE 3
Participação na 11ª Jornada Nacional de Literatura e no 4o Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio
ou participação exclusiva no 4º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio.
Inscrição individual - R$ 100,00
Inscrição coletiva -- R$ 800,00 (reunião de 10 participantes - R$ 80,00 por pessoa)


· Quadro de vagas

Palco de Debates e conferências: 4.500 vagas
Seminário da Academia Brasileira de Letras: revisitando os clássicos: 220 vagas
Seminário Nacional de Jornalismo Cultural: 400 vagas
4º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural com apresentação de comunicações: 180 vagas
Cursos opcionais: 2000 vagas
3ª Jornadinha Nacional de Literatura
§ 6000 vagas para alunos de 1ª a 4ª séries
§ 3000 vagas para alunos de 5ª a 8ª séries
§ 3000 vagas para alunos de Ensino Médio

Mais informações para a imprensa com Ivani Cardoso/Mary Zaidan (Lu Fernandes Escritório de Comunicação) pelo telefone (11) 381-4600

2005/06/20

Ler para querer - ofcina e livraria

Histórias do 'Era uma vez' têm os seus truques mágicos

Por que razão um grande número de histórias infantis começam por 'Era uma vez'? António Torrado, escritor que há 36 anos injecta histórias fantásticas na mente dos mais pequenos - com "120 livros e livrinhos publicados"- explica ao DN a razão "É a chave para entrar no mundo 'paralelo' da história que queremos contar. A partir desse 'Era uma vez' cabe toda a inverosimilhança, as histórias passam a ser aceites e justificadas. "

António Torrado sabe inúmeros truques para a resolução das histórias infantis, além dos indispensáveis encadear o enredo, ter em atenção motivos "provocadores", as "fórmulas mágicas", tão característicos desta narrativa. E porque para o escritor este mundo quase já não tem segredos, foi convidado a ser um dos quatro monitores para sensibilizar, ao longo de quatro sábados (às 18.00), o público de um atelier sobre Escrita Para Crianças, dirigido a adultos, numa iniciativa da Ler Para Querer, uma pequenina empresa que nasceu em 2004 e dá os primeiros passos no mercado da literatura infantil (ver texto em baixo).

No auditório da Livraria Ler Devagar, Bairro Alto, o escritor fala para as 20 mulheres que decidiram frequentar o atelier. Público com ouvidos de crianças, pelo menos para as partes em que ele começa a inventar a história de "uns grãos de areia, com uma grande experiência de vida, porque se calhar andaram na unha de um dinossauro, na sandália de um fenício, e um dia foram parar ao balde do menino que estava na praia..."

A plateia delirou com a passagem da interpretação de O Capuchinho Vermelho de Charles Perrault (1628-1703). "Pode dizer-se que é um grande acrescento de maldade quando se tira a avó da barriga do lobo para se encher de pedras e atirar o animal para dentro do poço, mas numa história não devemos ter receio de ir a situações dramáticas, desde que justificadas".

Ao longo da sessão o escritor vai parafraseando autores célebres que se aventuraram pelo imaginário infantil, e dando conselhos à plateia que deseja escrever para crianças. " Gustave Flaubert dizia que 'o que faz o colar não são as pérolas, mas o fio'. E Hans Christian Andersen escrevia 'o conto tem de deixar ouvir o contador'." Neste ponto, António Torrado é inflexível. Insiste "A voz do contador tem de se repercutir no que conta. O mais importante é a voz, a fala. Não há histórias iguais contadas por pessoas diferentes."

motivações. A urbanista Sofia Santos, 30 anos, é uma destas 20 mulheres. Ela e uma amiga designer gostariam de se iniciar nesta profissão. "Tenho uns apontamentos, e a minha presença aqui é mais para ouvir o que dizem as pessoas que já escrevem para crianças". Também Cristina Benedita, está ali à procura dessas mais-valias "Venho da área do espectáculo e por vezes conto histórias. O querer escrever é passar da oratória à escrita, que tem estruturas próprias. Eu vim à procura disso".

Eugénia Edviges, outra "aluna" que já tem um livro publicado e vai às escolas de Benavente trabalhar com crianças, assegura que "ao ouvir o António Torrado estou a aprender coisas que desconhecia completamente".

Este atelier Mãos Grandes, Letras Pequenas ainda vai no adro. Neste sábado, esteve presente apenas um monitor. Ainda passarão por lá, até à primeira semana de Julho, Margarida Fonseca Santos e Manuel António Pina. No próximo fim-de-semana será a vez de Rui Zink, com um registo diferente do de António Torrado. "Um dos poucos autores de livros infantis publicados nos EUA", como se define, vai desconcertar esta plateia. Vai dizer-lhes, como nos disse, que quem lê as histórias aos filhos "é a criada ucraniana" e vai ensiná-los a ganhar dinheiro, "com o pseudónimo de Madonna e um ilustrador português...".


Livraria especializa-se só nos livros infantis com qualidade

A livraria Ler Para Querer funciona num espaço próprio da Livraria Ler Devagar. É a concretização de um projecto da arqueóloga Mafalda Borges Coelho e da linguista Catarina Magro, que há cerca de um ano decidiram lançar um espaço especializado em literatura infanto-juvenil, para preencher o que consideraram ser uma lacuna em Lisboa, à excepção, na altura, da secção infantil da Barata em Campo de Ourique. [Agora existem também as livrarias História Com Bicho (Barcarena), Pequeno Herói (Lisboa) e Salta Folhinhas (Porto)].

A oferta não é apenas dos dois mil títulos criteriosamente seleccionados, "escolhemos os livros um a um, em termos de textos e ilustrações, e organizamo-los de forma a que os clientes se orientem". A empresa, que se define vocacionada para a promoção do livro e da leitura, também organiza feiras do livro, sessões de leitura e dramatização de contos infantis, além de visitas de autor. E às quartas-feiras, pelas 18.00, faz-se silêncio no livraria para se ouvir contar histórias.

"O nosso balanço é uma curva ascendente ligeira. Criar um público e fidelizá-lo leva o seu tempo. A procura por parte dos pais tem aumentado e dizem-nos encontrar aqui obras que não estão nas grandes livrarias. O nome da nossa já não cai no vazio. E desempenhamos um papel no próprio Bairro Alto", contam ao DN.

Os vendedores acham-nas "esquisitas", porque ali não entram livros da Disney, nem da Madonna.

Cantos de Hans Christian Andersen em Queluz

"[...]
O resto do recital será preenchido com trechos de óperas - os três artistas estão ligados à Ópera Real de Copenhaga, instituição da qual Andersen era visita frequente - lidando com as alegrias e tristezas do amor, sentimentos que o escritor conheceu bem (sobretudo o último). No programa, árias da Carmen (Bizet), de A Viúva Alegre (Lehar), de Porgy and Bess (George Gershwin) e de South Pacific (Rodgers e Hammerstein).

Pelo facto de Andersen aqui ter estado durante cerca de três meses em 1866, e disso ter deixado um registo escrito, Uma Visita a Portugal (que até lhe inspirou o conto O Sapo), Portugal foi considerado "país prioritário" pela Fundação Hans Christian Andersen, criada para celebrar o ano do bicentenário. Recordemos que a fadista Mariza foi recentemente nomeada embaixadora da obra do escritor pela representação diplomática da Dinamarca em Lisboa."

2005/06/14

“Reading 2005: to read the 21st, For a Culture of Peace” Congress

SCIENTIFIC ACTIVITIES
Magisterial Lectures
1- Subject: Reading, humanism and culture of peace.
2- Subject: Books for children and young people and cultural identity.
3- Subject: Multiple readings : multiple knowledge.
Roundtable
• Around the world in two hundred years.
On the occasion of the Celebrations for Hans Christian Andersen´s Bicentennial and the Centennial of Jules Verne´s death.
• The Quixote today.
On the occasion of the Celebrations for the 400th anniversary of the First Edition of the Quixote.
Seminars

1- Subject: Role of reading in human development: the family, the school, the library…
2- Subject: Reading, neo-liberal globalization and the information society.
3- Subject: Books for children and young people: ventures, adventures and misadventures.
4- Subject: Literature, ethics and society.
5- Subject: Reading and health: an ineluctable relationship.

Workshops
First IBBY International Workshop: We work for the children
(Length: 20 hours each)
1- Writing for children and young people for a world of peace.
2- Illustrating for children and young people.
Assembly Room
• Authors' Assembly Room: La Edad de Oro
Daily exclusive space where well-known authors (writers and illustrators) of children’s books will discuss their work in an open dialogue with the audience.

COLLATERAL ACTIVITIES
• Papirola Festival
• Visits to schools and cultural centers.

PARTICIPATIONS
Writers, illustrators, designers, editors, critics, researchers, teachers, librarians, book and magazine sellers, sociologists, psychologists, translators, reading promoters, health care, mass media, marketing, advertising, informatics professionals, and students, among others.

OFFICIAL LANGUAGES
• Spanish
• English
Simultaneous translation will be provided only for special lectures.

SPONSORS
• UNESCO Regional Office for Culture in Latin America and the Caribbean
• Regional Center for the Promotion of Books in Latin America and the Caribbean (CERLALC)
• "Juan Marinello" Center for Research and Development of Cuban Culture

VENUE OF THE EVENT
• Habana Libre Tryp Sol Meliá Hotel

REGISTRATION FEE
Delegates (Participants and lecturers) 300.00 CUC

Students 250.00 CUC
(Registered in university regular courses and under 25 years old)
Escorts 200.00 CUC
(Delegates, workshop participants, students and escorts travelling through UniversiTUR CUJAE Travel Agency, official receptor of the Congress, will get a 25.00 CUC discount from the registering fee).

The registering fee will be paid, with no exceptions, upon arrival in Cuba, and it includes:
Delegates: Credential, working materials, certificate of attendance to the Congress, welcoming cocktail, lunches and access to all scheduled, scientific as well as collateral, academic activities, with the exception of the First IBBY International Workshop: For the children we work.
Workshop participants : Credential, working materials, certificates of attendance to the Congress and to the First IBBY International Workshop: For the children we work, welcoming cocktail, lunches, and access to all scheduled, scientific as well as collateral, academic activities.
Escorts: Credential, welcoming cocktail, farewell luncheon, and closing cultural gala. Access to scheduled scientific activities not included.

Note: Registering deadline: July 30, 2005

For any information concerning the scientific (Seminars, First IBBY International Workshop: For the children we work, Workshops, and others) and collateral activities of the Congress, please, contact:

Dra. Emilia Gallego Alfonso
President
Organizing Comittee
e-mail: emyga@cubarte.cult.cu
Lic. Aimée Vega Belmonte
General Coordinator
Organizing Committee
e-mail: aimee@icaic.cu

For information concerning trip to Havana, lodging, manner of payment and other related matters, please, contact:

OFFICIAL RECEIVING AGENCY
The Specialized Travel Agency of the Universities and Cuban Research Centers, UniversiTUR will assist the organization of the tourist packages and other accommodation arrangements and stay in Cuba. UniversiTUR also can help you to obtain: air tickets, visa, medical insurance and recreational and cultural optional programs of your interest.

Agencia de Viajes Especializados UniversiTur, Sucursal CUJAE
Manager: Lic. María Antonia Cruz Vázquez
Phone: (537) 2614939 / 267 2012
Fax: (537) 267 1574
E-mail: lectura@universitur.cujae.edu.cu

2005/05/16

Festa da Poesia em Oeiras - Programa

FESTA DA POESIA – 13 a 22 de MAIO 2005.

PROGRAMA

Fins-de-semana de 14 / 15 e 21 / 22 de Maio

Feira do Livro no Parque dos Poetas


6ª-feira, 13 de Maio

22:00 – Teatro Municipal Ruy de Carvalho (Carnaxide)

Abertura da Festa da Poesia

“ISTO NÃO É UM RECITAL DE POESIA” – Leituras cruzadas de poemas, letras de canções, notas e textos dispersos na Língua Portuguesa por Sílvia Pfeifer, Rogério Samora e Kalaf.
Desenho em tempo real por António Jorge Gonçalves.Banda sonora misturada por Nuno Rosa.Coordenador e Mestre de Cerimónias: Nuno Artur Silva.


Sábado, 14 de Maio

15:00 – Biblioteca Municipal de Oeiras

Maratona de Leitura (coordenação – Luís Assis)
Leitura integral da obra poética de José Joaquim Cesário Verde, por blocos de 60 minutos, com intervalos de 30 minutos. Os poemas serão lidos por professores, alunos das Escolas EB 2,3 e Escolas Secundárias do Concelho de Oeiras, convidados da Câmara Municipal de Oeiras e pessoas que se inscrevem no próprio dia.

Durante a Maratona de Leitura haverá uma Mostra Bibliográfica dedicada à obra poética de Cesário Verde; uma Exposição de Trabalhos apresentados ao Concurso de Artes Visuais “Cesário Verde: um pintor nascido poeta”; uma Apresentação Multimédia exibida em sessão contínua no auditório da B.M.O.; e um Café com Letras, espaço de cafetaria que dará apoio à Maratona de Leitura.

A sessão de abertura da Maratona da Leitura será efectuada pela Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Dra. Teresa Pais Zambujo.


18:30 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)

Leitura de poemas com a presença dos poetas Alberto Pimenta, Ana Hatherly, António Franco Alexandre e Israel Bar Kohav (Israel).

21:30 – Teatro Municipal Lourdes Norberto (Linda-a-Velha)

Espectáculo “Viva o Bode!” – poesia portuguesa de escárnio e mal-dizer – pelo Intervalo – Grupo de Teatro. Encenação de Armando Caldas.

21:30 – Parque dos Poetas

“Arestas” – Espectáculo ao ar livre pela actriz Teresa Lima e pelo Grupo Coral “Ausentes do Alentejo” – Poemas de Federico García Lorca – Encenação de João Brites. Produção de Dolores Matos (FIAR / Teatro O Bando).

22:30 – Museu da Pólvora Negra – Fábrica da Pólvora – Barcarena

Recital de poesia pela actriz Rita Calçada Bastos integrado na Noite dos Museus / Dia Internacional dos Museus.


Domingo, 15 de Maio

15:00 – Parque dos Poetas

“Caminhada poética” – Passeio pedestre pelo parque, organizado pelo grupo “Poetas e Poesia”. Coordenação – Margarida Macedo.


16:00 – Biblioteca Municipal de Oeiras

Mesa-redonda sobre o tema “Poesia e Novos Suportes” com a presença de

Isabel Coutinho (jornalista)
José Mário Silva (poeta e blogger)
Pedro Mexia (poeta e blogger)

Moderador – José Afonso Furtado


17:00 – Parque dos Poetas

Feira do Livro – Animação infantil pelo escritor José Fanha.

17:00 – Clube Desportivo de Paço de Arcos (Salão Nobre)

Recital com a participação de poetas de Paço de Arcos. Organização – Tito Iglésias. Actuação do grupo de teatro sénior da ACTI. (Academia Cultural para a Terceira Idade). Peça “Parque dos Poetas”.

17:30 – Biblioteca Municipal de Oeiras (Auditório)

Apresentação do site das Bibliotecas Municipais de Oeiras “O Anzol”.

18:30 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)
Leitura de poemas com a presença dos poetas Helga Moreira, José Tolentino Mendonça e Xavier Rodríguez Baixeras (Galiza).

21:30 – Teatro Municipal Ruy de Carvalho (Carnaxide)

Espectáculo de teatro / recital multimédia – “Bocage – Tormento e Sonho” pelo actor Jorge Sequerra, comemorando os 200 anos da morte de Bocage. Viagem pela vida e obra do poeta.


2ª-feira, 16 de Maio

11:00 – Escola Básica EB1 de Oeiras nº 2.

“A Festa da Poesia vai à Escola” – Animação infantil dirigida a crianças do 1º ciclo do Ensino Básico pelo actor Jorge Sequerra.

15:00 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)

Leitura de poemas por diversos poetas do Concelho de Oeiras – Maria Aguiar, Maria Emília Venda e outros – com actuação musical do grupo coral “Eclipse”.

21:30 – Biblioteca Municipal de Oeiras

“Os poemas da minha vida”
Sessão com a presença de Urbano Tavares Rodrigues.


3ª-feira, 17 de Maio

11:00 – Escola Básica EB1 de Tercena

“A Festa da Poesia vai à Escola” – Animação infantil dirigida a crianças do 1º ciclo do Ensino Básico pelo actor Jorge Sequerra.

18:30 – Biblioteca Municipal de Oeiras

“Os poemas da minha vida”
Sessão com a presença de uma personalidade convidada.

21:30 – Parque dos Poetas

“Arestas” – Espectáculo ao ar livre pela actriz Teresa Lima e pelo Grupo Coral “Ausentes do Alentejo” – Poemas de Federico García Lorca – Encenação de João Brites. Produção de Dolores Matos (FIAR / Teatro O Bando).


4ª-feira, 18 de Maio

11:00 – Escola Básica EB1 de Porto Salvo nº 3

“A Festa da Poesia vai à Escola” – Animação infantil dirigida a crianças do 1º ciclo do Ensino Básico pelo actor Jorge Sequerra.

18:30 – Biblioteca Municipal de Oeiras

“Os poemas da minha vida”
Sessão com a presença de uma personalidade convidada.

21:00 – Auditório Municipal Eunice Muñoz

Exibição do filme Autografia sobre o poeta Mário Cesariny.

21:30 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)

Recital de poesia “Fernando Pessoa e os seus mestres” pelo actor João d’Ávila.


5ª-feira, 19 de Maio

11:00 – Escola Básica EB1 de Algés nº 1

“A Festa da Poesia vai à Escola” – Animação infantil dirigida a crianças do 1º ciclo do Ensino Básico pelo actor Jorge Sequerra.

18:30 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)

Recital de poesia portuguesa do século XX pelo actor Diogo Dória.

21:30 – Teatro Municipal Eunice Muñoz (Oeiras)

Concerto por Pedro Abrunhosa – “Canções”. Inclui piano, saxofone, guitarra e leitura de poemas de diversos autores por Pedro Abrunhosa.


6ª-feira, 20 de Maio

11:00 – Parque dos Poetas
Visita guiada ao Parque dos Poetas, orientada pelo escultor Francisco Simões.

15:00 – Livraria-Galeria Municipal Verney (Oeiras)

Sessão comemorativa do 10º aniversário da Livraria-Galeria Verney.
Leitura de poemas por membros da A.P.P. – Associação Portuguesa de Poetas – autores: Alexandre O’Neill, António Gedeão, Carlos de Oliveira, David Mourão-Ferreira, Fernando Pessoa, Jorge de Sena e Mário de Sá-Carneiro.
Leitura de poemas por convidados da Junta de Freguesia de Oeiras e S. Julião da Barra – autores: Camilo Pessanha, Miguel Torga, Natália Correia, Ruy Belo, Pascoaes e Vitorino Nemésio.

15:00 – Escola Básica EB1 de Outurela / Portela.

“A Festa da Poesia vai à Escola” – Animação infantil dirigida a crianças do 1º ciclo do Ensino Básico pelo actor Jorge Sequerra.

21:30 – Biblioteca Municipal de Oeiras (Auditório)

Apresentação do livro “O PIN da Bíblia”.


21:30 – Teatro Municipal Eunice Muñoz (Oeiras)

Espectáculo / concerto “Auto das Coisas Aqui em Baixo” – Inclui poemas e textos de António Lobo Antunes, com a participação dos músicos Filipa Pais, J. P. Simões (vocalista dos “Belle Chase Hotel”) e Vitorino.

21:30 – Teatro Municipal Lourdes Norberto (Linda-a-Velha)

Espectáculo “Viva o Bode!” – poesia portuguesa de escárnio e mal-dizer – pelo Intervalo – Grupo de Teatro. Encenação de Armando Caldas.

21:30 – Biblioteca Operária Oeirense (Oeiras)

Recital “Vozes de mulheres na poesia portuguesa” pela actriz Margarida Marinho, com actuação musical do grupo coral CRAMOL. Madrugada de poesia – sessão aberta à participação de todos.


Sábado, 21 de Maio

16:00 – Biblioteca Municipal de Oeiras

Mesa-redonda sobre o tema “Poesia e Educação” com a presença de
Gastão Cruz
Manuel Gusmão
Maria Lúcia Lepecki
Fernando Pinto do Amaral

Moderador – Jorge Barreto Xavier (Vereador da CMO)

18:30 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)

Leitura de poemas com a presença dos poetas Maria de Sousa Tavares, Manuel Gusmão e Jacques Darras (França).

21:30 – Teatro Municipal Ruy de Carvalho (Carnaxide)

Recital de poesia e música “O Sentimento de Três Ocidentais”, com leitura encenada de poemas de Cesário Verde, Álvaro de Campos e Ruy Belo.
Leituras por Eurico Lopes e Leonor Seixas. Recital de piano por Carla Seixas. Concepção de Gastão Cruz.

21:30 – Teatro Municipal Lourdes Norberto (Linda-a-Velha)

Espectáculo “Viva o Bode!” – poesia portuguesa de escárnio e mal-dizer – pelo Intervalo – Grupo de Teatro. Encenação de Armando Caldas.

21:30 – Salão Nobre da SIMECQ – Cruz Quebrada

Espectáculo com actuação musical por Henrique Pimenta e Rute Pimenta (fado) e recital de poesia por poetas locais e membros do CENCO (Centro Cultural de Oeiras).

21:30 – Salão Nobre da SIMPS – Porto Salvo

“Fernando Pessoa – a simplicidade do génio” – Recital de poesia de Fernando Pessoa por Fernando Afonso e José Miguel Lopes. Actuação musical da SIMPS.

00:00 – Bar “Espaço dos Sentidos” (R. Cândido dos Reis, Oeiras)

“Stand-up Poetry” – Recital de poesia portuguesa erótica e satírica pelo actor Jorge Sequerra. Espectáculo destinado a adultos.


Domingo, 22 de Maio

11:00 – Parque dos Poetas – Anfiteatro

“Poesia à Solta” – Grande espectáculo de animação infantil por José Fanha, com a participação de crianças de diversas escolas básicas EB 1 e Jardins de Infância do Concelho de Oeiras.

16:00 – Livraria-Galeria Municipal Verney (Oeiras)

Sessão de poesia com a participação do CENCO (Centro Cultural de Oeiras). Leitura de poemas de A. Ramos Rosa, Eugénio de Andrade, Florbela Espanca, José Gomes Ferreira, José Régio, Manuel Alegre e Sophia de Mello Breyner Andresen.

17:00 – Biblioteca Municipal de Oeiras

Sessão de entrega de prémios aos vencedores do concurso literário intergeracional, com munícipes da Terceira Idade e utilizadores das IPSS (organização em conjunto com a DAS). Participação da actriz Cármen Dolores.

17:00 – Teatro Municipal Lourdes Norberto (Linda-a-Velha)

Espectáculo multimédia “Vídeo-poesia” pelo poeta E. M. de Melo e Castro e pelo actor Jorge Sequerra.

17:00 – Parque dos Poetas

Feira do Livro – Animação infantil pelo escritor José Fanha.

18:30 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)

Leitura de poemas com a presença dos poetas Jorge de Sousa Braga, José Mário Silva e Marco Bruno (Itália).

22:00 – Igreja da Cartuxa – Caxias

Encerramento da Festa da Poesia

Concerto de música antiga pelo grupo La Batalla – concepção e direcção de Pedro Caldeira Cabral. Leitura de poemas medievais pelo actor Diogo Dória.

2005/05/10

Grande Prémio de Poesia da APE atribuído a Manuel António Pina

Confira aqui a notícia publicada na edição de hoje do Diário de Notícias:

"Literatura

Manuel António Pina vence Grande Prémio APE de Poesia

Com a obra poética Os Livros, uma edição da Assírio & Alvim, Manuel António Pina acaba de vencer o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (APE), um dos mais prestigiados galardões da literatura portuguesa. O júri era constituído por Paula Mourão, José Carlos Seabra Pereira, Clara Rocha, José Manuel Vasconcelos e Francisco Duarte Mandas. A mesma obra havia sido distinguida com o Prémio Luís Miguel Nava, em Dezembro de 2004.

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, ex-jornalista cultural do Jornal de Notícias do Porto, ficcionista (Os Papéis de K.), também na área da literatura infantil, Manuel António Pina disse ao DN ter ficado especialmente satisfeito com o galardão, dada a qualidade do júri "O mérito dos prémios depende do nível do júri."

Quanto à obra, diz tratar-se do "encerramento de um ciclo, uma reflexão sobre a escrita, seus limites e impossibilidades." Os Livros interroga o gesto de escrever e a própria palavra escrita, tendo em conta que o poeta é, em primeiro lugar, um leitor , um depositário de memórias e outras vozes.

"Tento procurar, em Os Livros, uma voz, a minha voz entre as inumeráveis vozes existentes. Haverá essa voz primitiva?", pergunta-se.

Manuel António Pina tenta, por outro lado, desenvolver, nesta obra, soluções formais que vinham já de livros anteriores a variedade de rimas e ritmos, a tensão entre verso medido e não medido.

Instrumento de convocação do mundo, a poesia é, segundo disse, em entrevista ao DN, espanto e queda "porque não há nenhuma resposta, nada nem ninguém responde do lado de lá!" "Não temos senão palavras" - refere ainda.

Nascido no Sabugal (Beira Alta), em Novembro de 1943, Manuel António Pina é autor de livros como Ainda Não é o Fim nem o Princípio do Mundo Calma é Apenas um Pouco Tarde; Nenhum Sítio; Um Sítio Onde Pousar a Cabeça; O Caminho para Casa; Algo Parecido com Isto da Mesma Substância; Cuidados Intensivos e Nenhuma Palavra, Nenhuma Lembrança."

2005/04/22

Dia Mundial do Livro em Beja

Manhã
"Arruaça" de palavras,
organizado pelas alunas estagiárias do curso de Animação Sócio-Cultural da Escola Superior de Educação de Beja

14.30h/00.00h
Mercado do livro

15.00h
Histórias na minha cidade - o livro gigante dos contos de Beja,
com a participação dos alunos da Escola Superior de Educação de Beja e dos ilustradores Cristina Malaquias, Miguel Horte, Pedro Leitão e Carla Pott

17.30h
No fundo da mata eu vi,
sessão de contos pelo contador brasileiro Roberto de Freitas

20.30h
Apresentação do livro Barca Velha: Histórias de um Vinho da autoria da jornalista Ana Sofia Fonseca; colaboração do enólogo José Maria Soares Franco. Prova do néctar dos deuses...

21.30h
Letras hispânicas,
conversa À volta dos livros com os escritores Rosa Montero e António Sarabia

22.30h
Paixão, Amor e Sexo,
pelo psiquiatra Francisco Allen Gomes

23.30h
Falam, falam... ou a escrita de humor em Portugal,
por Ricardo Araújo, da equipa dos Gato Fedorento

00.30h
Camões é um poeta rap,
pelo grupo de teatro Arte Pública

01.15h
Eu blogo, tu blogas, ele bloga...,
com a participação dos criadores dos blogues As Ruínas Circulares, Charquinho, 100nada, BLOGotinha, Gato Fedorento, Blog de Esquerda, Espelho Mágico e Barnabé

02.00h
Espectáculo musical Vozes do Brasil

Nota - das 21.00h às 23.00h a Biblioteca organiza um serviço de babysitting.

2005/04/04

25ª edição do "Salon du Livre de Paris"

Vale a pena ler esta reflexão de Francisco Bélard, publicada no suplemento "Actual" do Expresso de 2 de Abril de 2005, intitulada "Primavera dos Livros":

Todos os anos, pela Primavera. Ou quase; inaugurado a 17 de Março, o 25º Salon du Livre de Paris acabou a 23. De 4 a 13, decorrera outra iniciativa (também realizada noutras cidades francesas e estrangeiras), o «Printemps des Poètes», instituído em 1999 por Jack Lang; a história desta manifestação lê-se no nº 41 da revista «Poésie 1», ed. Le Cherche Midi; até meados de Abril, ainda haverá fotografias e livros de poesia expostos na estação de metro de Saint-Germain.
O começo da Primavera é a altura escolhida pela capital francesa para o Salon du Livre, que de 1981 a 1993 teve lugar no Grand Palais e desde 1994 ocupa o Hall 1 do Parc des Expositions, ou Paris-Expo, na Porte de Versailles. Não está no centro da cidade, mas é de acesso fácil. Sai-se do metro, dão-se uns passos e entra-se por 3€ se não se tiver convite (dado a autores, a grupos de estudantes, etc.) ou o livre-trânsito concedido a certas categorias profissionais. É um espaço acolhedor, em que não se sente excessivamente a imensidão da indústria editorial - aqui largamente de língua francesa, mas com razoável presença de outras, com realce para o país convidado, este ano a Rússia. Mesmo nos dias de maior afluência anda-se à vontade. Mas logo vemos que, embora de todos os lados se vislumbre o fundo (o que não ocorre na Feira de Frankfurt, que ocupa edifícios de vários andares), é possível passar manhãs e tardes sem ver a maior parte do que é proposto. O Salon tem uma dimensão humana, não somos esmagados pelo Livro e pela Cultura. Mas há objectos para os mais diversos gostos, há debates, às vezes ao mesmo tempo dois ou três, que nos impelem a escolher. Ao contrário de feiras profissionais, como a de Frankfurt, a maior parte dos livros (e revistas, jornais, DVD, CD, etc.) estão à venda; proliferam catálogos, anúncios, folhetos e comunicados, quem gosta de autógrafos dispõe de listas que dizem a hora e o lugar em que estará o escritor ou o ilustrador A ou B, em média 200 e tal por dia, mais de 2000 em seis dias. Também se pode não comprar nada e folhear o que se quiser dessa parte de «toda a memória do mundo» ali reunida das 9h30 às 19h ou mais. O Salon é feira, exposição (de livros e de autores), lugar de discussões em que a literatura é só uma das componentes. No último dia, por exemplo, assisti a colóquios sobre a Europa (a Turquia foi um dos temas), a francofonia e a literatura russa actual. O mais interessante no Salon du Livre é a pluralidade das propostas. Embora seja agradável ir a boas livrarias, grandes e pequenas, generalistas ou especializadas (e em certas zonas de Paris têm uma densidade desesperante), elas não substituem o Salon, que reúne excepcional diversidade de editores e em que os autores não são apenas um nome numa capa. Várias organizações, jornais, estações de Rádio e TV promovem sessões públicas sobre quase tudo. Os livros, claro, mas também temas como a biodiversidade ou o novo tratado constitucional.
Numa livraria, mesmo excelente, posso não ficar a saber que obras edita o Centre d'Études Slaves, ou não encontrar o nº 21, de 1995, de uma revista com artigos que me interessam. Posso não encontrar números antigos do «Magazine Littéraire» (e muito menos capas para coleccionar a revista) ou do «Courrier International». Posso não ficar a saber que numa editora italiana que eu ignorava há uma Storia d'Italia, de Benedetto Croce, e que outra, de Nápoles, edita uma revista literária com o formato hoje raro de 49x34cm. Posso não descobrir publicações de La Documentation Française, como «Questions Internationales», que no número de Março-Abril trata da Turquia, da Itália, dos EUA e de Chipre, e no número anterior tratou da ONU, de Kaliningrad e da Bulgária (e quanto a geopolítica não esqueçamos a editora Ellipses, de Paris). Posso não ficar a saber que uma editora belga, a Bruylant, tem bons livros de ciências sociais e um deles reproduz um colóquio sobre o problema das línguas na UE; ou que outra editora belga, Labor, publicou um diálogo com Dominique Wolton sobre TV. Posso não encontrar um livro sobre Albert Camus editado em 2004 em Argel. Posso não descobrir que uma das recentes antologias de poesia russa saiu em francês no Canadá. Talvez na livraria localizasse Figures du Palestinien, de Elias Sambar (Gallimard, 19,50€), mas no Salon encontro também o autor. E, como nas livrarias ou na Internet as grandes editoras prevalecem, posso não dar pela existência das Éditions Philippe Rey e do livro Nous ne Verrons Jamais Vukovar, de Louise L. Lambrichts (desencadeado por um famoso texto de Peter Handke). Posso ainda, se não tiver ido à Librairie Lusophone, de João Heitor, ignorar que as Éditions Lusophone publicaram as actas do colóquio Árvore (1951-1953) et la Poésie Portugaise des Années Cinquante, um livro de teatro de Teresa Rita Lopes e um estudo sobre a saudade de António Braz. Se não tiver ido à Librairie Portugaise, não saberei quais os projectos editoriais de Michel Chandeigne nem que ele me permite comprar uma revista brasileira de História cujos números 1 a 4 encontrei em São Paulo em 2003 e em Portugal não encontro em lado nenhum. Se não consultar o programa do Salon du Livre, não saberei que Jean-Christophe Victor (que conhecemos dos canais franceses de TV - agora menos, pois quem manda em Portugal no «cabo» tirou o Arte do «pacote-base») apresenta ali o mais recente DVD do programa de geopolítica «Le Dessous des Cartes», com 140 minutos em francês e inglês sobre États-Unis, une Géographie Impériale (título que faz lembrar Raymond Aron). Talvez me escape um livrinho de Liliane Giraudon, nas Éditions Inventaire, que não constavam do meu inventário, cuja contracapa enumera os mais notórios actos proibidos pelos «taliban» (por exemplo, que os homens façam a barba ou que se ouça música numa loja). Também poderei não reparar que saiu uma nova revista de BD, «Bang!», co-edição de «Les Inrockuptibles» e da Casterman. Nem adquirir (desta vez sem pagar, é «hors commerce») a antologia Cinq Poètes Russes du XXe Siècle, com Blok, Akhmatova, Mandelstam, Tsvetaieva e Brodsky, editada pela Gallimard e apoiada pela Gibert Joseph, concessionária da venda de livros no pavilhão russo. E posso não saber que a edição em DVD ou CD-ROM da Encyclopédie Universalis custa 123€. Ou que o prémio France Télévisions para ensaio foi ali atribuído no dia 18 a Jean-Pierre Vernant (La Traversée des Frontières, Seuil, 19€) e que a escolha suscitou polémica por ter sido preterido o livro de Serge Bilé, Noirs dans les Camps Nazis (Serpent à Plumes, 15,90€). Isto são só alguns exemplos de como uma iniciativa em torno do livro remete, como os livros em geral, para o universo.
Claro que, depois das 19h, outras obras que decerto estavam no Salon podem ser reveladas por incursões nocturnas a livrarias (duas, em Saint-Germain, fecham quase à meia-noite). Destaco a publicação recente (devedora da edição Pléiade de 1990) de Pasternak na Gallimard: Écrits Autobiographiques. Le Docteur Jivago; 1316 páginas, com o célebre romance a par de outros textos, a 23€; não é caro, se compararmos com os 16€ de Exils, de Natalia Jouravliova, em russo e francês, com 104 páginas de que só sei ler metade.
Como se compreende, a francofonia é um ponto forte do Salon. E, ecoando o ainda recente dia da mesma, há um debate com o senegalês Christian Valantin (lembra ele que no período colonial a língua francesa excluía o ensino das línguas africanas, «natales» no dizer de Senghor, atitude hoje ultrapassada), com os franceses J. Chancel e D. Wolton (além da historiadora Hélène Carrére d'Encausse, que, adoentada, se retirou sem intervir) e com o libanês Ghassan Salamé, antigo ministro da Cultura, que explica as implicações económicas do projecto francófono; por exemplo, jovens da região estudam francês porque há empresas petrolíferas que usam essa língua. Afirmação consensual é a de que não se trata de uma vã concorrência com o inglês mas de manter a posição do francês para que o inglês e a língua materna não sejam as únicas estudadas. Disponível e gratuito está o livro de actas da sessão do Haut Conseil de la Francophonie em 2004, presidido por Boutros-Ghali (um dos participantes foi Mário Soares).
Tendências? Impossível enunciá-las; toda a edição francófona está representada. Sartre, no centenário, surge em várias prateleiras. Sobre ele, só de Annie Cohen-Solal vejo três livros (dois recentes). Dos estrangeiros, Eco, mesmo sem ter ido dar autógrafos este ano, faz-se notar sobretudo pela tradução do seu último e sui generis romance, que vai sair em português. O stand dos romances de Dan Brown (o primeiro, cronologicamente, é promovido como se fosse mais recente, o que não acontece só em França) é um entre inúmeros. Mais interessante é notar o êxito de um exigente trabalho científico e jornalístico, o livro Code Da Vinci: l'Enquête (R. Laffont, 19€), de Marie-France Etchegoin (de «Le Nouvel Observateur») e Frédéric Lenoir (de «Le Monde des Réligions»). Portugal teve participação discreta, com o colóquio de jovens escritores já noticiado no «Actual» e a homenagem a Sophia em que Inês de Medeiros disse poemas em duas línguas e os editores Joaquim Vital e Michel Chandeigne fizeram intervenções interessantes; mas faltou lá um professor de literatura ou um crítico literário (e alguns iriam estar em Paris para uma sessão mal divulgada no Centre Culturel Portugais da Gulbenkian). Registe-se, porém, o aspecto melhorado do stand português (IPLB-IC), embora os postais com poemas de Sophia não me pareçam esteticamente ideais.
Mas sobre tudo isso imperou a presença russa, que não é nova na edição francesa há muitas décadas. A novidade foi a visita de uns 40 escritores, quase todos ignorados na Europa ocidental. Não cabem numa chaveta; a ficção sobre o soldado que volta destruído da Tchetchénia e se mete na vodka ou em negócios escusos é uma caricatura. Os presentes (ou o ausente Viktor Pelevine) mostraram bem as suas diferenças, alguns a sua vivacidade, e quase todos uma relação estreita com tradições literárias europeias, clássicas e contemporâneas. Os russos falaram de literatura, de política, do dia-a-dia; noutros colóquios, franceses e russos abordaram as relações da Rússia e da URSS com a França e o resto do mundo; entre os convidados havia nomes como Stéphane Courtois e Nicholas Werth. À margem, alguns stands exibiram obras sobre a Tchetchénia e a Ucrânia. O Salon du Livre foi tudo isto e muito mais, que não cabe em duas páginas, mas que, para além do acontecimento jornalístico, dará assunto para outros comentários, pois ficam os livros, as revistas e o eco das palavras neste encontro de culturas e concentrado de informações.