2005/07/23

"Triângulo Jota" de Álvaro Magalhães na TV

Aqui fica o resto da notícia do JN de hoje, assinada por João Quaresma:


"Planos mais elaborados

A série "Triângulo Jota" está a ser filmada como se fosse cinema. "O que adianta salientar neste aspecto é que nós estamos a usar uma linguagem cinematográfica, estamos a construir sequências, a fazer planos mais elaborados, muito diferente das 'talking heads' como dizem os americanos da linguagem usada nas telenovelas", esclarece Artur Ribeiro, para quem esta é "uma oportunidade de poder manter-se mais ou menos a fazer cinema, mas para televisão".

O trio de heróis da história, "Joana", "Joel" e "Jorge", estão no Ensino Secundário - 8º, 11º e 12º anos. A Rita e os dois Pedros na vida real dizem-se todos muito confortáveis ao fim de alguns meses de filmagens, que alternam com os tempos lectivos.

Todos estão em consonância com o ambiente que se vive com toda a equipa e do gozo que lhes está a dar participar na série. De outro modo, "já não estávamos aqui", lança Pedro Roquete. Mesmo agora, já em tempo de férias, Rita salienta que não fazia " a mínima ideia que pudesse ser tão cansativo".

Um pouco como peixe na água, devido aos muitos anos de experiência, Mário Moutinho interpreta no episódio "A rapariga dos anúncios" - cujas gravações o JN acompanhou -, o papel de um taxista, pessoa simpática que, no final, surge como o tenebroso mestre de uma seita demoníaca secreta.

"Estou confiante que esta vai ser uma série boa, por diversos motivos primeiro porque o Henrique Oliveira, de cada vez que faz ficção, consegue sempre qualidade, com uma marca, uma personalidade de própria; o realizador, que já conheço há anos, parece-me que está a dirigir isto com muita sensibilidade; por último, temos uma equipa técnica que dá garantias", diz o actor já com 30 anos de carreira.

Preocupação com qualidade

Para o também director do FITEI, as produções com a chancela da HOP! ("Major Alvega" e "Claxon"), "têm aquilo que muitos produtos de televisão não conseguem - devido à emergência - que é um investimento na qualidade, uma preocupação com o produto final, com o rigor, daí a repetição muitas vezes exaustiva das cenas".

E, prossegue, "neste caso do 'Triângulo Jota', há, obviamente, a escrita do Álvaro Magalhães, uma pessoa que escreve muito bem. Tudo reunido, estou convicto que vai ser uma série de grande sucesso". E estava chegada a hora de Mário Moutinho tomar o lugar em frente à mesa dos sacrifícios para gravar a cena final do episódio que contava com a participação da maioria dos intervenientes neste projecto."

2005/07/19

Novo Harry Potter

"Literatura - penúltimo volume da colecção é um fenómeno

Potter é o mais vendido de sempre

E às primeiras 24 horas de exposição já era o maior recordista de vendas de sempre nos Estados Unidos e Reino Unido: ‘Harry Potter and the Half-Blood Prince’, o penúltimo da colecção, ainda sem versão portuguesa mas por pouco tempo.

Contactada a Presença, editora que representa entre nós J.K. Rowling, a autora dos sete volumes que concluem a saga do pequeno aprendiz de feiticeiro, temos novidades: o manuscrito original está desde ontem na editora, seguindo-se agora o processo de leitura e revisão, tradução e composição que sempre antecede cada novo livro. Todo este trabalho está a cargo da equipa de Isabel Nunes, a mesma que já tratou do antecessor. Entretanto, prepara-se o megaevento, ainda no segredo dos deuses, para Outubro.

O novo ‘Harry Potter’, ainda sem título nem preço conhecidos, tem data de lançamento prevista para o final do mês de Outubro e o número de exemplares da primeira edição não está ainda calculado mas “não andará muito longe dos 100 mil relativos ao título anterior (‘Harry Potter e a Ordem da Fénix’)”, adiantou ao CM Inês Mourão, da editora.

Foram 6,9 milhões de exemplares só nos Estados Unidos (a somar a dois milhões no Reino Unido), fez saber, de imediato, a editora responsável pelo lançamento local, a Scholastic: “Mais uma vez, ‘Harry Potter’ fez História”, lia-se em comunicado, onde se adiantava já uma segunda edição a caminho.

Encomendas ‘on line’ também já ‘fecharam’, repetindo, assim, o fenómeno das livrarias, mais de uma dezena de países, que abriram à meia-noite do dia 16, à semelhança de edições anteriores, sendo que, 24 horas mais tarde, ‘fechavam’ as portas ao sexto de sete livros que uma autora e um marketing competentes transformaram num sucesso de vendas sem precedentes.

J. K.Rowling, cuja fortuna conseguida com a saga de Harry Potter a dá como a mulher mais rica do Reino Unido, há muito que anunciou o fim da colecção mas nem por isso deixa de sofrer por antecipação a despedida.

No sábado, em entrevista a uma estação de televisão britânica, Rowling confessou a ambiguidade de sentimentos: “Vai ser um choque. Adorei escrever e o fim é inevitável mas, sei, vai ser um choque. O futuro passará, obrigatoriamente, pelo pseudónimo”, disse."
Correio da Manhã, 19 de Julho de 2005, Jonalista Dina Gusmão

2005/07/18

3ª Jornadinha e 11ª Jornada Nacional de Literatura - Passo Fundo (RS), Brasil

O escritor Ignácio de Loyola Brandão, coordenador dos debates da Jornada, explica que a Jornada tem um caráter multiplicador com a participação intensa de professores e jovens que realmente foram preparados para o evento: "Na minha primeira palestra, há várias edições, eu recebi 280 perguntas por escrito. Eu já viajei muito mas não conheço outro evento literário como esse na Europa, Estados Unidos ou América Latina. Deveria entrar para o Guiness".

Para o secretário de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, Roque Jacoby, a Jornada é o exemplo de que o livro "é realmente o melhor meio de que a sociedade dispõe para aprimorar o cidadão". Oswaldo Siciliano, presidente da Câmara Brasileira do Livro, explicou que a CBL dará todo o apoio ao evento: "A Jornada de passo Fundo é um exemplo a ser seguido por todos os municípios brasileiros, pois prova que com empenho, planejamento e o trabalho em conjunto dos setores público e privado a difusão do hábito de leitura no Brasil é plenamente possível".

São Paulo terá um envolvimento especial com a 11a Jornada. O Sesc São Paulo desenvolverá um trabalho em suas unidades e a secretaria Estadual da Educação incentivará seus estudantes do Ensino Fundamental para participarem do concurso 9º Concurso Josué Guimarães sobre a obra do escritor Hans Christian Andersen.

A cada edição bienal a Jornada atrai um número maior de autores e leitores. De um tímido começo, há 24 anos, quase restrito a uma iniciativa acadêmica, a Jornada atinge hoje mais de 20 mil participantes diretos, e seus fóruns de discussão tornaram-se referência no mundo literário, conferindo grandeza ao evento e subscrevendo a história de Passo Fundo como o cenário das Letras no País. Além de pré-jornadas organizadas como preparação para o evento no Rio Grande do Sul e em outros estados, duas semanas antes acontece o Festerê Literário, com várias manifestações culturais em vários pontos de Passo Fundo.

Outros autores internacionais confirmados: Mauro Maldonato (Itália), Mia Couto (Moçambique), Ronald Jobe (Canadá), Tassadit Yacine (Marrocos/França), Carlos Reis (Portugal) e Antonio Yebra (Espanha). Entre os diversos escritores nacionais também participarão Frei Betto, José Castello, Moacyr Scliar, Marisa Lajolo, Nelson de Oliveira, Lobão e Daniel Piza.

Promovida desde 1981 pela Universidade de Passo Fundo (RS), a Jornada deste ano, com o tema Diversidade Cultural - o diálogo das diferenças, acontece entre os dias 22 e 26 de agosto, e traz uma série de novidades, a começar pela a realização do Encontro Nacional da Academia Brasileira de Letras que, pela primeira vez na história, ocorrerá fora de sua sede. A Jornada inclui o 4º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio e o Seminário Nacional de Jornalismo Cultural, além da oferta de 30 diferentes cursos livres de literatura, formação de leitores, dramaturgia, publicidade, língua, cultura surda, samba, pintura e língua estrangeira. Destaca-se ainda a 3ª Jornadinha Nacional de Literatura, dedicada ao público infanto-juvenil.

A 11ª Jornada inova também nos prêmios. Neste ano, o 4º Prêmio UFP Zaffarini & Bourbon de Literatura conferirá R$ 100 mil para o melhor romance em Língua Portuguesa publicado entre junho de 2003 e 30 de maio de 2005. Autores de contos inéditos têm a oportunidade de participar do 9º Concurso Josué Guimarães, com prêmios de R$ 5 mil e R$ 3 mil para primeiro e segundo colocados. Alunos da 4ª, 5ª e 6ª séries podem se inscrever ao Prêmio Hans Christian Andersen, fazendo releituras do renomado contista dinamarquês, com prêmio de uma viagem à Dinamarca de uma semana (incluindo a capital Copenhagen e a cidade de Odense, onde nasceu o escritor. Para os estudantes de Publicidade e Propaganda foi lançado um concurso exclusivo, premiando também com uma viagem a Copenhague a melhor campanha sobre a obra do autor de histórias inesquecíveis como O Patinho Feio, O Soldadinho de Chumbo, João e Maria e a Roupa Nova do Rei, clássicos da literatura infantil.

O bicentenário de Andersen, os 400 anos de Miguel de Cervantes Saavedra, criador de Dom Quixote de La Mancha, obra-prima da literatura universal, e o centenário do consagrado Érico Veríssimo, autor da trilogia O Tempo e o Vento serão reverenciados durante a 11ª Jornada, em diferentes homenagens durante os cinco dias do evento.

Encontro Nacional da Academia Brasileira de Letras

Reinventando os Clássicos é o tema do Seminário da Academia Brasileira de Letras (ABL) que, pela primeira vez em sua história, realizará um encontro fora de sua sede, no Rio de Janeiro. Pelo menos nove acadêmicos já confirmaram presença para os três dias de debates sobre a influência dos grandes clássicos em suas obras.

O Seminário será aberto pelo escritor Ivan Junqueira, presidente da ABL, com o painel Manuel Bandeira e a Consciência Poética. Carlos Drummond de Andrade e Gonçalves Dias serão os temas do segundo dia do encontro, com a participação dos acadêmicos Ana Maria Machado, Antônio Carlos Secchin e João Ubaldo Ribeiro. No encerramento, Alberto da Costa abordará O Ateneu, de Raul Pompéia, uma das mais significativas obras do realismo brasileiro. Arnaldo Niskier falará sobre O Olhar Pedagógico de Machado de Assis e Carlos Heitor Cony apresentará sua visão da obra Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida.

3ª Jornadinha Nacional de Literatura

Com atividades diversificadas, sempre de acordo com a faixa etária, a Jornadinha de Literatura chega à sua terceira edição já como sucesso absoluto. Dirigida a estudantes da 1ª série do Ensino Fundamental até alunos do Ensino Médio, o evento permite a completa interação das crianças e dos jovens com o mundo das letras. Encontros com escritores, sessões de histórias contadas, teatro, dança, música e debates fazem parte da programação, que traz o mesmo tema do painel principal: Diversidade Cultural - o diálogo das diferenças.

4º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio

Evento paralelo da 11ª Jornada de Literatura, o 4º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio vai reunir teóricos de várias partes do mundo, a exemplo do que ocorreu em sua primeira edição, em 2002, na Universidade de Extremadura, na Espanha. Os debates incluem temas como cultura, leitura, patrimônio cultural, língua e literatura e já têm confirmadas as presenças de Ronald Jobe, da Universidade de Columbia, Gabriel Nuñez, da Universidade de Almeria, Pedro Cerrillo Torremocha, da Universidade de Castilla La Mancha, Marta Morais, da PUC do Paraná e da escritora e acadêmica Ana Maria Machado, entre outros.

Seminário Nacional de Jornalismo Cultural

Promovido em conjunto com a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), o evento vai discutir as diferenças regionais, o jornalismo de Cultura, de Variedades, de Artes e de Espetáculos, em painéis coordenados por profissionais dos maiores jornais e revistas culturais do país.

Outras atrações

Durante os cinco dias da 11ª Jornada, Passo Fundo abrigará uma dezena de atrações artísttas, en re elas apresentações de Arthur Moreira e a pré-estréia do show de Antônio da Nóbrega, que só entrará em cartaz no circuito tradicional em setembro, além de performances ligadas ao tema da diversidade cultural.

Serviço
11ª Jornada Nacional de Literatura
Data: 22 a 26 de agosto de 2005
Local: Circo da Cultura
Passo Fundo - RS

· Inscrições

As inscrições estarão abertas a partir do dia 1º de junho e devem ser feitas exclusivamente pela internet no endereço www.jornadadeliteratura.upf.br . Foram criadas três diferentes modalidades de inscrição, que incluem a participação exclusiva na 11ª Jornada, ou a sua combinação com um ou mais eventos.

MODALIDADE 1
Participação exclusiva na 11ª Jornada Nacional de Literatura
Inscrição individual - R$ 80,00
Inscrição coletiva -- R$ 600,00 (reunião de 10 participantes - R$ 60,00 por pessoa)

MODALIDADE 2
Participação na 11ª Jornada Nacional de Literatura e um curso opcional
ou participação na 11ª Jornada Nacional de Literatura e no Encontro Nacional da Academia Brasileira de letras: revisitando os clássicos
ou participação na 11ª Jornada Nacional de Literatura e no Seminário Nacional de Jornalismo Cultural
Inscrição individual - R$ 85,00
Inscrição coletiva -- R$ 650,00 (reunião de 10 participantes - R$ 65,00 por pessoa)
.
MODALIDADE 3
Participação na 11ª Jornada Nacional de Literatura e no 4o Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio
ou participação exclusiva no 4º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio.
Inscrição individual - R$ 100,00
Inscrição coletiva -- R$ 800,00 (reunião de 10 participantes - R$ 80,00 por pessoa)


· Quadro de vagas

Palco de Debates e conferências: 4.500 vagas
Seminário da Academia Brasileira de Letras: revisitando os clássicos: 220 vagas
Seminário Nacional de Jornalismo Cultural: 400 vagas
4º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio Cultural com apresentação de comunicações: 180 vagas
Cursos opcionais: 2000 vagas
3ª Jornadinha Nacional de Literatura
§ 6000 vagas para alunos de 1ª a 4ª séries
§ 3000 vagas para alunos de 5ª a 8ª séries
§ 3000 vagas para alunos de Ensino Médio

Mais informações para a imprensa com Ivani Cardoso/Mary Zaidan (Lu Fernandes Escritório de Comunicação) pelo telefone (11) 381-4600

2005/06/20

Ler para querer - ofcina e livraria

Histórias do 'Era uma vez' têm os seus truques mágicos

Por que razão um grande número de histórias infantis começam por 'Era uma vez'? António Torrado, escritor que há 36 anos injecta histórias fantásticas na mente dos mais pequenos - com "120 livros e livrinhos publicados"- explica ao DN a razão "É a chave para entrar no mundo 'paralelo' da história que queremos contar. A partir desse 'Era uma vez' cabe toda a inverosimilhança, as histórias passam a ser aceites e justificadas. "

António Torrado sabe inúmeros truques para a resolução das histórias infantis, além dos indispensáveis encadear o enredo, ter em atenção motivos "provocadores", as "fórmulas mágicas", tão característicos desta narrativa. E porque para o escritor este mundo quase já não tem segredos, foi convidado a ser um dos quatro monitores para sensibilizar, ao longo de quatro sábados (às 18.00), o público de um atelier sobre Escrita Para Crianças, dirigido a adultos, numa iniciativa da Ler Para Querer, uma pequenina empresa que nasceu em 2004 e dá os primeiros passos no mercado da literatura infantil (ver texto em baixo).

No auditório da Livraria Ler Devagar, Bairro Alto, o escritor fala para as 20 mulheres que decidiram frequentar o atelier. Público com ouvidos de crianças, pelo menos para as partes em que ele começa a inventar a história de "uns grãos de areia, com uma grande experiência de vida, porque se calhar andaram na unha de um dinossauro, na sandália de um fenício, e um dia foram parar ao balde do menino que estava na praia..."

A plateia delirou com a passagem da interpretação de O Capuchinho Vermelho de Charles Perrault (1628-1703). "Pode dizer-se que é um grande acrescento de maldade quando se tira a avó da barriga do lobo para se encher de pedras e atirar o animal para dentro do poço, mas numa história não devemos ter receio de ir a situações dramáticas, desde que justificadas".

Ao longo da sessão o escritor vai parafraseando autores célebres que se aventuraram pelo imaginário infantil, e dando conselhos à plateia que deseja escrever para crianças. " Gustave Flaubert dizia que 'o que faz o colar não são as pérolas, mas o fio'. E Hans Christian Andersen escrevia 'o conto tem de deixar ouvir o contador'." Neste ponto, António Torrado é inflexível. Insiste "A voz do contador tem de se repercutir no que conta. O mais importante é a voz, a fala. Não há histórias iguais contadas por pessoas diferentes."

motivações. A urbanista Sofia Santos, 30 anos, é uma destas 20 mulheres. Ela e uma amiga designer gostariam de se iniciar nesta profissão. "Tenho uns apontamentos, e a minha presença aqui é mais para ouvir o que dizem as pessoas que já escrevem para crianças". Também Cristina Benedita, está ali à procura dessas mais-valias "Venho da área do espectáculo e por vezes conto histórias. O querer escrever é passar da oratória à escrita, que tem estruturas próprias. Eu vim à procura disso".

Eugénia Edviges, outra "aluna" que já tem um livro publicado e vai às escolas de Benavente trabalhar com crianças, assegura que "ao ouvir o António Torrado estou a aprender coisas que desconhecia completamente".

Este atelier Mãos Grandes, Letras Pequenas ainda vai no adro. Neste sábado, esteve presente apenas um monitor. Ainda passarão por lá, até à primeira semana de Julho, Margarida Fonseca Santos e Manuel António Pina. No próximo fim-de-semana será a vez de Rui Zink, com um registo diferente do de António Torrado. "Um dos poucos autores de livros infantis publicados nos EUA", como se define, vai desconcertar esta plateia. Vai dizer-lhes, como nos disse, que quem lê as histórias aos filhos "é a criada ucraniana" e vai ensiná-los a ganhar dinheiro, "com o pseudónimo de Madonna e um ilustrador português...".


Livraria especializa-se só nos livros infantis com qualidade

A livraria Ler Para Querer funciona num espaço próprio da Livraria Ler Devagar. É a concretização de um projecto da arqueóloga Mafalda Borges Coelho e da linguista Catarina Magro, que há cerca de um ano decidiram lançar um espaço especializado em literatura infanto-juvenil, para preencher o que consideraram ser uma lacuna em Lisboa, à excepção, na altura, da secção infantil da Barata em Campo de Ourique. [Agora existem também as livrarias História Com Bicho (Barcarena), Pequeno Herói (Lisboa) e Salta Folhinhas (Porto)].

A oferta não é apenas dos dois mil títulos criteriosamente seleccionados, "escolhemos os livros um a um, em termos de textos e ilustrações, e organizamo-los de forma a que os clientes se orientem". A empresa, que se define vocacionada para a promoção do livro e da leitura, também organiza feiras do livro, sessões de leitura e dramatização de contos infantis, além de visitas de autor. E às quartas-feiras, pelas 18.00, faz-se silêncio no livraria para se ouvir contar histórias.

"O nosso balanço é uma curva ascendente ligeira. Criar um público e fidelizá-lo leva o seu tempo. A procura por parte dos pais tem aumentado e dizem-nos encontrar aqui obras que não estão nas grandes livrarias. O nome da nossa já não cai no vazio. E desempenhamos um papel no próprio Bairro Alto", contam ao DN.

Os vendedores acham-nas "esquisitas", porque ali não entram livros da Disney, nem da Madonna.

Cantos de Hans Christian Andersen em Queluz

"[...]
O resto do recital será preenchido com trechos de óperas - os três artistas estão ligados à Ópera Real de Copenhaga, instituição da qual Andersen era visita frequente - lidando com as alegrias e tristezas do amor, sentimentos que o escritor conheceu bem (sobretudo o último). No programa, árias da Carmen (Bizet), de A Viúva Alegre (Lehar), de Porgy and Bess (George Gershwin) e de South Pacific (Rodgers e Hammerstein).

Pelo facto de Andersen aqui ter estado durante cerca de três meses em 1866, e disso ter deixado um registo escrito, Uma Visita a Portugal (que até lhe inspirou o conto O Sapo), Portugal foi considerado "país prioritário" pela Fundação Hans Christian Andersen, criada para celebrar o ano do bicentenário. Recordemos que a fadista Mariza foi recentemente nomeada embaixadora da obra do escritor pela representação diplomática da Dinamarca em Lisboa."

2005/06/14

“Reading 2005: to read the 21st, For a Culture of Peace” Congress

SCIENTIFIC ACTIVITIES
Magisterial Lectures
1- Subject: Reading, humanism and culture of peace.
2- Subject: Books for children and young people and cultural identity.
3- Subject: Multiple readings : multiple knowledge.
Roundtable
• Around the world in two hundred years.
On the occasion of the Celebrations for Hans Christian Andersen´s Bicentennial and the Centennial of Jules Verne´s death.
• The Quixote today.
On the occasion of the Celebrations for the 400th anniversary of the First Edition of the Quixote.
Seminars

1- Subject: Role of reading in human development: the family, the school, the library…
2- Subject: Reading, neo-liberal globalization and the information society.
3- Subject: Books for children and young people: ventures, adventures and misadventures.
4- Subject: Literature, ethics and society.
5- Subject: Reading and health: an ineluctable relationship.

Workshops
First IBBY International Workshop: We work for the children
(Length: 20 hours each)
1- Writing for children and young people for a world of peace.
2- Illustrating for children and young people.
Assembly Room
• Authors' Assembly Room: La Edad de Oro
Daily exclusive space where well-known authors (writers and illustrators) of children’s books will discuss their work in an open dialogue with the audience.

COLLATERAL ACTIVITIES
• Papirola Festival
• Visits to schools and cultural centers.

PARTICIPATIONS
Writers, illustrators, designers, editors, critics, researchers, teachers, librarians, book and magazine sellers, sociologists, psychologists, translators, reading promoters, health care, mass media, marketing, advertising, informatics professionals, and students, among others.

OFFICIAL LANGUAGES
• Spanish
• English
Simultaneous translation will be provided only for special lectures.

SPONSORS
• UNESCO Regional Office for Culture in Latin America and the Caribbean
• Regional Center for the Promotion of Books in Latin America and the Caribbean (CERLALC)
• "Juan Marinello" Center for Research and Development of Cuban Culture

VENUE OF THE EVENT
• Habana Libre Tryp Sol Meliá Hotel

REGISTRATION FEE
Delegates (Participants and lecturers) 300.00 CUC

Students 250.00 CUC
(Registered in university regular courses and under 25 years old)
Escorts 200.00 CUC
(Delegates, workshop participants, students and escorts travelling through UniversiTUR CUJAE Travel Agency, official receptor of the Congress, will get a 25.00 CUC discount from the registering fee).

The registering fee will be paid, with no exceptions, upon arrival in Cuba, and it includes:
Delegates: Credential, working materials, certificate of attendance to the Congress, welcoming cocktail, lunches and access to all scheduled, scientific as well as collateral, academic activities, with the exception of the First IBBY International Workshop: For the children we work.
Workshop participants : Credential, working materials, certificates of attendance to the Congress and to the First IBBY International Workshop: For the children we work, welcoming cocktail, lunches, and access to all scheduled, scientific as well as collateral, academic activities.
Escorts: Credential, welcoming cocktail, farewell luncheon, and closing cultural gala. Access to scheduled scientific activities not included.

Note: Registering deadline: July 30, 2005

For any information concerning the scientific (Seminars, First IBBY International Workshop: For the children we work, Workshops, and others) and collateral activities of the Congress, please, contact:

Dra. Emilia Gallego Alfonso
President
Organizing Comittee
e-mail: emyga@cubarte.cult.cu
Lic. Aimée Vega Belmonte
General Coordinator
Organizing Committee
e-mail: aimee@icaic.cu

For information concerning trip to Havana, lodging, manner of payment and other related matters, please, contact:

OFFICIAL RECEIVING AGENCY
The Specialized Travel Agency of the Universities and Cuban Research Centers, UniversiTUR will assist the organization of the tourist packages and other accommodation arrangements and stay in Cuba. UniversiTUR also can help you to obtain: air tickets, visa, medical insurance and recreational and cultural optional programs of your interest.

Agencia de Viajes Especializados UniversiTur, Sucursal CUJAE
Manager: Lic. María Antonia Cruz Vázquez
Phone: (537) 2614939 / 267 2012
Fax: (537) 267 1574
E-mail: lectura@universitur.cujae.edu.cu

2005/05/16

Festa da Poesia em Oeiras - Programa

FESTA DA POESIA – 13 a 22 de MAIO 2005.

PROGRAMA

Fins-de-semana de 14 / 15 e 21 / 22 de Maio

Feira do Livro no Parque dos Poetas


6ª-feira, 13 de Maio

22:00 – Teatro Municipal Ruy de Carvalho (Carnaxide)

Abertura da Festa da Poesia

“ISTO NÃO É UM RECITAL DE POESIA” – Leituras cruzadas de poemas, letras de canções, notas e textos dispersos na Língua Portuguesa por Sílvia Pfeifer, Rogério Samora e Kalaf.
Desenho em tempo real por António Jorge Gonçalves.Banda sonora misturada por Nuno Rosa.Coordenador e Mestre de Cerimónias: Nuno Artur Silva.


Sábado, 14 de Maio

15:00 – Biblioteca Municipal de Oeiras

Maratona de Leitura (coordenação – Luís Assis)
Leitura integral da obra poética de José Joaquim Cesário Verde, por blocos de 60 minutos, com intervalos de 30 minutos. Os poemas serão lidos por professores, alunos das Escolas EB 2,3 e Escolas Secundárias do Concelho de Oeiras, convidados da Câmara Municipal de Oeiras e pessoas que se inscrevem no próprio dia.

Durante a Maratona de Leitura haverá uma Mostra Bibliográfica dedicada à obra poética de Cesário Verde; uma Exposição de Trabalhos apresentados ao Concurso de Artes Visuais “Cesário Verde: um pintor nascido poeta”; uma Apresentação Multimédia exibida em sessão contínua no auditório da B.M.O.; e um Café com Letras, espaço de cafetaria que dará apoio à Maratona de Leitura.

A sessão de abertura da Maratona da Leitura será efectuada pela Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Dra. Teresa Pais Zambujo.


18:30 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)

Leitura de poemas com a presença dos poetas Alberto Pimenta, Ana Hatherly, António Franco Alexandre e Israel Bar Kohav (Israel).

21:30 – Teatro Municipal Lourdes Norberto (Linda-a-Velha)

Espectáculo “Viva o Bode!” – poesia portuguesa de escárnio e mal-dizer – pelo Intervalo – Grupo de Teatro. Encenação de Armando Caldas.

21:30 – Parque dos Poetas

“Arestas” – Espectáculo ao ar livre pela actriz Teresa Lima e pelo Grupo Coral “Ausentes do Alentejo” – Poemas de Federico García Lorca – Encenação de João Brites. Produção de Dolores Matos (FIAR / Teatro O Bando).

22:30 – Museu da Pólvora Negra – Fábrica da Pólvora – Barcarena

Recital de poesia pela actriz Rita Calçada Bastos integrado na Noite dos Museus / Dia Internacional dos Museus.


Domingo, 15 de Maio

15:00 – Parque dos Poetas

“Caminhada poética” – Passeio pedestre pelo parque, organizado pelo grupo “Poetas e Poesia”. Coordenação – Margarida Macedo.


16:00 – Biblioteca Municipal de Oeiras

Mesa-redonda sobre o tema “Poesia e Novos Suportes” com a presença de

Isabel Coutinho (jornalista)
José Mário Silva (poeta e blogger)
Pedro Mexia (poeta e blogger)

Moderador – José Afonso Furtado


17:00 – Parque dos Poetas

Feira do Livro – Animação infantil pelo escritor José Fanha.

17:00 – Clube Desportivo de Paço de Arcos (Salão Nobre)

Recital com a participação de poetas de Paço de Arcos. Organização – Tito Iglésias. Actuação do grupo de teatro sénior da ACTI. (Academia Cultural para a Terceira Idade). Peça “Parque dos Poetas”.

17:30 – Biblioteca Municipal de Oeiras (Auditório)

Apresentação do site das Bibliotecas Municipais de Oeiras “O Anzol”.

18:30 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)
Leitura de poemas com a presença dos poetas Helga Moreira, José Tolentino Mendonça e Xavier Rodríguez Baixeras (Galiza).

21:30 – Teatro Municipal Ruy de Carvalho (Carnaxide)

Espectáculo de teatro / recital multimédia – “Bocage – Tormento e Sonho” pelo actor Jorge Sequerra, comemorando os 200 anos da morte de Bocage. Viagem pela vida e obra do poeta.


2ª-feira, 16 de Maio

11:00 – Escola Básica EB1 de Oeiras nº 2.

“A Festa da Poesia vai à Escola” – Animação infantil dirigida a crianças do 1º ciclo do Ensino Básico pelo actor Jorge Sequerra.

15:00 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)

Leitura de poemas por diversos poetas do Concelho de Oeiras – Maria Aguiar, Maria Emília Venda e outros – com actuação musical do grupo coral “Eclipse”.

21:30 – Biblioteca Municipal de Oeiras

“Os poemas da minha vida”
Sessão com a presença de Urbano Tavares Rodrigues.


3ª-feira, 17 de Maio

11:00 – Escola Básica EB1 de Tercena

“A Festa da Poesia vai à Escola” – Animação infantil dirigida a crianças do 1º ciclo do Ensino Básico pelo actor Jorge Sequerra.

18:30 – Biblioteca Municipal de Oeiras

“Os poemas da minha vida”
Sessão com a presença de uma personalidade convidada.

21:30 – Parque dos Poetas

“Arestas” – Espectáculo ao ar livre pela actriz Teresa Lima e pelo Grupo Coral “Ausentes do Alentejo” – Poemas de Federico García Lorca – Encenação de João Brites. Produção de Dolores Matos (FIAR / Teatro O Bando).


4ª-feira, 18 de Maio

11:00 – Escola Básica EB1 de Porto Salvo nº 3

“A Festa da Poesia vai à Escola” – Animação infantil dirigida a crianças do 1º ciclo do Ensino Básico pelo actor Jorge Sequerra.

18:30 – Biblioteca Municipal de Oeiras

“Os poemas da minha vida”
Sessão com a presença de uma personalidade convidada.

21:00 – Auditório Municipal Eunice Muñoz

Exibição do filme Autografia sobre o poeta Mário Cesariny.

21:30 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)

Recital de poesia “Fernando Pessoa e os seus mestres” pelo actor João d’Ávila.


5ª-feira, 19 de Maio

11:00 – Escola Básica EB1 de Algés nº 1

“A Festa da Poesia vai à Escola” – Animação infantil dirigida a crianças do 1º ciclo do Ensino Básico pelo actor Jorge Sequerra.

18:30 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)

Recital de poesia portuguesa do século XX pelo actor Diogo Dória.

21:30 – Teatro Municipal Eunice Muñoz (Oeiras)

Concerto por Pedro Abrunhosa – “Canções”. Inclui piano, saxofone, guitarra e leitura de poemas de diversos autores por Pedro Abrunhosa.


6ª-feira, 20 de Maio

11:00 – Parque dos Poetas
Visita guiada ao Parque dos Poetas, orientada pelo escultor Francisco Simões.

15:00 – Livraria-Galeria Municipal Verney (Oeiras)

Sessão comemorativa do 10º aniversário da Livraria-Galeria Verney.
Leitura de poemas por membros da A.P.P. – Associação Portuguesa de Poetas – autores: Alexandre O’Neill, António Gedeão, Carlos de Oliveira, David Mourão-Ferreira, Fernando Pessoa, Jorge de Sena e Mário de Sá-Carneiro.
Leitura de poemas por convidados da Junta de Freguesia de Oeiras e S. Julião da Barra – autores: Camilo Pessanha, Miguel Torga, Natália Correia, Ruy Belo, Pascoaes e Vitorino Nemésio.

15:00 – Escola Básica EB1 de Outurela / Portela.

“A Festa da Poesia vai à Escola” – Animação infantil dirigida a crianças do 1º ciclo do Ensino Básico pelo actor Jorge Sequerra.

21:30 – Biblioteca Municipal de Oeiras (Auditório)

Apresentação do livro “O PIN da Bíblia”.


21:30 – Teatro Municipal Eunice Muñoz (Oeiras)

Espectáculo / concerto “Auto das Coisas Aqui em Baixo” – Inclui poemas e textos de António Lobo Antunes, com a participação dos músicos Filipa Pais, J. P. Simões (vocalista dos “Belle Chase Hotel”) e Vitorino.

21:30 – Teatro Municipal Lourdes Norberto (Linda-a-Velha)

Espectáculo “Viva o Bode!” – poesia portuguesa de escárnio e mal-dizer – pelo Intervalo – Grupo de Teatro. Encenação de Armando Caldas.

21:30 – Biblioteca Operária Oeirense (Oeiras)

Recital “Vozes de mulheres na poesia portuguesa” pela actriz Margarida Marinho, com actuação musical do grupo coral CRAMOL. Madrugada de poesia – sessão aberta à participação de todos.


Sábado, 21 de Maio

16:00 – Biblioteca Municipal de Oeiras

Mesa-redonda sobre o tema “Poesia e Educação” com a presença de
Gastão Cruz
Manuel Gusmão
Maria Lúcia Lepecki
Fernando Pinto do Amaral

Moderador – Jorge Barreto Xavier (Vereador da CMO)

18:30 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)

Leitura de poemas com a presença dos poetas Maria de Sousa Tavares, Manuel Gusmão e Jacques Darras (França).

21:30 – Teatro Municipal Ruy de Carvalho (Carnaxide)

Recital de poesia e música “O Sentimento de Três Ocidentais”, com leitura encenada de poemas de Cesário Verde, Álvaro de Campos e Ruy Belo.
Leituras por Eurico Lopes e Leonor Seixas. Recital de piano por Carla Seixas. Concepção de Gastão Cruz.

21:30 – Teatro Municipal Lourdes Norberto (Linda-a-Velha)

Espectáculo “Viva o Bode!” – poesia portuguesa de escárnio e mal-dizer – pelo Intervalo – Grupo de Teatro. Encenação de Armando Caldas.

21:30 – Salão Nobre da SIMECQ – Cruz Quebrada

Espectáculo com actuação musical por Henrique Pimenta e Rute Pimenta (fado) e recital de poesia por poetas locais e membros do CENCO (Centro Cultural de Oeiras).

21:30 – Salão Nobre da SIMPS – Porto Salvo

“Fernando Pessoa – a simplicidade do génio” – Recital de poesia de Fernando Pessoa por Fernando Afonso e José Miguel Lopes. Actuação musical da SIMPS.

00:00 – Bar “Espaço dos Sentidos” (R. Cândido dos Reis, Oeiras)

“Stand-up Poetry” – Recital de poesia portuguesa erótica e satírica pelo actor Jorge Sequerra. Espectáculo destinado a adultos.


Domingo, 22 de Maio

11:00 – Parque dos Poetas – Anfiteatro

“Poesia à Solta” – Grande espectáculo de animação infantil por José Fanha, com a participação de crianças de diversas escolas básicas EB 1 e Jardins de Infância do Concelho de Oeiras.

16:00 – Livraria-Galeria Municipal Verney (Oeiras)

Sessão de poesia com a participação do CENCO (Centro Cultural de Oeiras). Leitura de poemas de A. Ramos Rosa, Eugénio de Andrade, Florbela Espanca, José Gomes Ferreira, José Régio, Manuel Alegre e Sophia de Mello Breyner Andresen.

17:00 – Biblioteca Municipal de Oeiras

Sessão de entrega de prémios aos vencedores do concurso literário intergeracional, com munícipes da Terceira Idade e utilizadores das IPSS (organização em conjunto com a DAS). Participação da actriz Cármen Dolores.

17:00 – Teatro Municipal Lourdes Norberto (Linda-a-Velha)

Espectáculo multimédia “Vídeo-poesia” pelo poeta E. M. de Melo e Castro e pelo actor Jorge Sequerra.

17:00 – Parque dos Poetas

Feira do Livro – Animação infantil pelo escritor José Fanha.

18:30 – Teatro Municipal Amélia Rey Colaço (Algés)

Leitura de poemas com a presença dos poetas Jorge de Sousa Braga, José Mário Silva e Marco Bruno (Itália).

22:00 – Igreja da Cartuxa – Caxias

Encerramento da Festa da Poesia

Concerto de música antiga pelo grupo La Batalla – concepção e direcção de Pedro Caldeira Cabral. Leitura de poemas medievais pelo actor Diogo Dória.

2005/05/10

Grande Prémio de Poesia da APE atribuído a Manuel António Pina

Confira aqui a notícia publicada na edição de hoje do Diário de Notícias:

"Literatura

Manuel António Pina vence Grande Prémio APE de Poesia

Com a obra poética Os Livros, uma edição da Assírio & Alvim, Manuel António Pina acaba de vencer o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (APE), um dos mais prestigiados galardões da literatura portuguesa. O júri era constituído por Paula Mourão, José Carlos Seabra Pereira, Clara Rocha, José Manuel Vasconcelos e Francisco Duarte Mandas. A mesma obra havia sido distinguida com o Prémio Luís Miguel Nava, em Dezembro de 2004.

Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, ex-jornalista cultural do Jornal de Notícias do Porto, ficcionista (Os Papéis de K.), também na área da literatura infantil, Manuel António Pina disse ao DN ter ficado especialmente satisfeito com o galardão, dada a qualidade do júri "O mérito dos prémios depende do nível do júri."

Quanto à obra, diz tratar-se do "encerramento de um ciclo, uma reflexão sobre a escrita, seus limites e impossibilidades." Os Livros interroga o gesto de escrever e a própria palavra escrita, tendo em conta que o poeta é, em primeiro lugar, um leitor , um depositário de memórias e outras vozes.

"Tento procurar, em Os Livros, uma voz, a minha voz entre as inumeráveis vozes existentes. Haverá essa voz primitiva?", pergunta-se.

Manuel António Pina tenta, por outro lado, desenvolver, nesta obra, soluções formais que vinham já de livros anteriores a variedade de rimas e ritmos, a tensão entre verso medido e não medido.

Instrumento de convocação do mundo, a poesia é, segundo disse, em entrevista ao DN, espanto e queda "porque não há nenhuma resposta, nada nem ninguém responde do lado de lá!" "Não temos senão palavras" - refere ainda.

Nascido no Sabugal (Beira Alta), em Novembro de 1943, Manuel António Pina é autor de livros como Ainda Não é o Fim nem o Princípio do Mundo Calma é Apenas um Pouco Tarde; Nenhum Sítio; Um Sítio Onde Pousar a Cabeça; O Caminho para Casa; Algo Parecido com Isto da Mesma Substância; Cuidados Intensivos e Nenhuma Palavra, Nenhuma Lembrança."

2005/04/22

Dia Mundial do Livro em Beja

Manhã
"Arruaça" de palavras,
organizado pelas alunas estagiárias do curso de Animação Sócio-Cultural da Escola Superior de Educação de Beja

14.30h/00.00h
Mercado do livro

15.00h
Histórias na minha cidade - o livro gigante dos contos de Beja,
com a participação dos alunos da Escola Superior de Educação de Beja e dos ilustradores Cristina Malaquias, Miguel Horte, Pedro Leitão e Carla Pott

17.30h
No fundo da mata eu vi,
sessão de contos pelo contador brasileiro Roberto de Freitas

20.30h
Apresentação do livro Barca Velha: Histórias de um Vinho da autoria da jornalista Ana Sofia Fonseca; colaboração do enólogo José Maria Soares Franco. Prova do néctar dos deuses...

21.30h
Letras hispânicas,
conversa À volta dos livros com os escritores Rosa Montero e António Sarabia

22.30h
Paixão, Amor e Sexo,
pelo psiquiatra Francisco Allen Gomes

23.30h
Falam, falam... ou a escrita de humor em Portugal,
por Ricardo Araújo, da equipa dos Gato Fedorento

00.30h
Camões é um poeta rap,
pelo grupo de teatro Arte Pública

01.15h
Eu blogo, tu blogas, ele bloga...,
com a participação dos criadores dos blogues As Ruínas Circulares, Charquinho, 100nada, BLOGotinha, Gato Fedorento, Blog de Esquerda, Espelho Mágico e Barnabé

02.00h
Espectáculo musical Vozes do Brasil

Nota - das 21.00h às 23.00h a Biblioteca organiza um serviço de babysitting.

2005/04/04

25ª edição do "Salon du Livre de Paris"

Vale a pena ler esta reflexão de Francisco Bélard, publicada no suplemento "Actual" do Expresso de 2 de Abril de 2005, intitulada "Primavera dos Livros":

Todos os anos, pela Primavera. Ou quase; inaugurado a 17 de Março, o 25º Salon du Livre de Paris acabou a 23. De 4 a 13, decorrera outra iniciativa (também realizada noutras cidades francesas e estrangeiras), o «Printemps des Poètes», instituído em 1999 por Jack Lang; a história desta manifestação lê-se no nº 41 da revista «Poésie 1», ed. Le Cherche Midi; até meados de Abril, ainda haverá fotografias e livros de poesia expostos na estação de metro de Saint-Germain.
O começo da Primavera é a altura escolhida pela capital francesa para o Salon du Livre, que de 1981 a 1993 teve lugar no Grand Palais e desde 1994 ocupa o Hall 1 do Parc des Expositions, ou Paris-Expo, na Porte de Versailles. Não está no centro da cidade, mas é de acesso fácil. Sai-se do metro, dão-se uns passos e entra-se por 3€ se não se tiver convite (dado a autores, a grupos de estudantes, etc.) ou o livre-trânsito concedido a certas categorias profissionais. É um espaço acolhedor, em que não se sente excessivamente a imensidão da indústria editorial - aqui largamente de língua francesa, mas com razoável presença de outras, com realce para o país convidado, este ano a Rússia. Mesmo nos dias de maior afluência anda-se à vontade. Mas logo vemos que, embora de todos os lados se vislumbre o fundo (o que não ocorre na Feira de Frankfurt, que ocupa edifícios de vários andares), é possível passar manhãs e tardes sem ver a maior parte do que é proposto. O Salon tem uma dimensão humana, não somos esmagados pelo Livro e pela Cultura. Mas há objectos para os mais diversos gostos, há debates, às vezes ao mesmo tempo dois ou três, que nos impelem a escolher. Ao contrário de feiras profissionais, como a de Frankfurt, a maior parte dos livros (e revistas, jornais, DVD, CD, etc.) estão à venda; proliferam catálogos, anúncios, folhetos e comunicados, quem gosta de autógrafos dispõe de listas que dizem a hora e o lugar em que estará o escritor ou o ilustrador A ou B, em média 200 e tal por dia, mais de 2000 em seis dias. Também se pode não comprar nada e folhear o que se quiser dessa parte de «toda a memória do mundo» ali reunida das 9h30 às 19h ou mais. O Salon é feira, exposição (de livros e de autores), lugar de discussões em que a literatura é só uma das componentes. No último dia, por exemplo, assisti a colóquios sobre a Europa (a Turquia foi um dos temas), a francofonia e a literatura russa actual. O mais interessante no Salon du Livre é a pluralidade das propostas. Embora seja agradável ir a boas livrarias, grandes e pequenas, generalistas ou especializadas (e em certas zonas de Paris têm uma densidade desesperante), elas não substituem o Salon, que reúne excepcional diversidade de editores e em que os autores não são apenas um nome numa capa. Várias organizações, jornais, estações de Rádio e TV promovem sessões públicas sobre quase tudo. Os livros, claro, mas também temas como a biodiversidade ou o novo tratado constitucional.
Numa livraria, mesmo excelente, posso não ficar a saber que obras edita o Centre d'Études Slaves, ou não encontrar o nº 21, de 1995, de uma revista com artigos que me interessam. Posso não encontrar números antigos do «Magazine Littéraire» (e muito menos capas para coleccionar a revista) ou do «Courrier International». Posso não ficar a saber que numa editora italiana que eu ignorava há uma Storia d'Italia, de Benedetto Croce, e que outra, de Nápoles, edita uma revista literária com o formato hoje raro de 49x34cm. Posso não descobrir publicações de La Documentation Française, como «Questions Internationales», que no número de Março-Abril trata da Turquia, da Itália, dos EUA e de Chipre, e no número anterior tratou da ONU, de Kaliningrad e da Bulgária (e quanto a geopolítica não esqueçamos a editora Ellipses, de Paris). Posso não ficar a saber que uma editora belga, a Bruylant, tem bons livros de ciências sociais e um deles reproduz um colóquio sobre o problema das línguas na UE; ou que outra editora belga, Labor, publicou um diálogo com Dominique Wolton sobre TV. Posso não encontrar um livro sobre Albert Camus editado em 2004 em Argel. Posso não descobrir que uma das recentes antologias de poesia russa saiu em francês no Canadá. Talvez na livraria localizasse Figures du Palestinien, de Elias Sambar (Gallimard, 19,50€), mas no Salon encontro também o autor. E, como nas livrarias ou na Internet as grandes editoras prevalecem, posso não dar pela existência das Éditions Philippe Rey e do livro Nous ne Verrons Jamais Vukovar, de Louise L. Lambrichts (desencadeado por um famoso texto de Peter Handke). Posso ainda, se não tiver ido à Librairie Lusophone, de João Heitor, ignorar que as Éditions Lusophone publicaram as actas do colóquio Árvore (1951-1953) et la Poésie Portugaise des Années Cinquante, um livro de teatro de Teresa Rita Lopes e um estudo sobre a saudade de António Braz. Se não tiver ido à Librairie Portugaise, não saberei quais os projectos editoriais de Michel Chandeigne nem que ele me permite comprar uma revista brasileira de História cujos números 1 a 4 encontrei em São Paulo em 2003 e em Portugal não encontro em lado nenhum. Se não consultar o programa do Salon du Livre, não saberei que Jean-Christophe Victor (que conhecemos dos canais franceses de TV - agora menos, pois quem manda em Portugal no «cabo» tirou o Arte do «pacote-base») apresenta ali o mais recente DVD do programa de geopolítica «Le Dessous des Cartes», com 140 minutos em francês e inglês sobre États-Unis, une Géographie Impériale (título que faz lembrar Raymond Aron). Talvez me escape um livrinho de Liliane Giraudon, nas Éditions Inventaire, que não constavam do meu inventário, cuja contracapa enumera os mais notórios actos proibidos pelos «taliban» (por exemplo, que os homens façam a barba ou que se ouça música numa loja). Também poderei não reparar que saiu uma nova revista de BD, «Bang!», co-edição de «Les Inrockuptibles» e da Casterman. Nem adquirir (desta vez sem pagar, é «hors commerce») a antologia Cinq Poètes Russes du XXe Siècle, com Blok, Akhmatova, Mandelstam, Tsvetaieva e Brodsky, editada pela Gallimard e apoiada pela Gibert Joseph, concessionária da venda de livros no pavilhão russo. E posso não saber que a edição em DVD ou CD-ROM da Encyclopédie Universalis custa 123€. Ou que o prémio France Télévisions para ensaio foi ali atribuído no dia 18 a Jean-Pierre Vernant (La Traversée des Frontières, Seuil, 19€) e que a escolha suscitou polémica por ter sido preterido o livro de Serge Bilé, Noirs dans les Camps Nazis (Serpent à Plumes, 15,90€). Isto são só alguns exemplos de como uma iniciativa em torno do livro remete, como os livros em geral, para o universo.
Claro que, depois das 19h, outras obras que decerto estavam no Salon podem ser reveladas por incursões nocturnas a livrarias (duas, em Saint-Germain, fecham quase à meia-noite). Destaco a publicação recente (devedora da edição Pléiade de 1990) de Pasternak na Gallimard: Écrits Autobiographiques. Le Docteur Jivago; 1316 páginas, com o célebre romance a par de outros textos, a 23€; não é caro, se compararmos com os 16€ de Exils, de Natalia Jouravliova, em russo e francês, com 104 páginas de que só sei ler metade.
Como se compreende, a francofonia é um ponto forte do Salon. E, ecoando o ainda recente dia da mesma, há um debate com o senegalês Christian Valantin (lembra ele que no período colonial a língua francesa excluía o ensino das línguas africanas, «natales» no dizer de Senghor, atitude hoje ultrapassada), com os franceses J. Chancel e D. Wolton (além da historiadora Hélène Carrére d'Encausse, que, adoentada, se retirou sem intervir) e com o libanês Ghassan Salamé, antigo ministro da Cultura, que explica as implicações económicas do projecto francófono; por exemplo, jovens da região estudam francês porque há empresas petrolíferas que usam essa língua. Afirmação consensual é a de que não se trata de uma vã concorrência com o inglês mas de manter a posição do francês para que o inglês e a língua materna não sejam as únicas estudadas. Disponível e gratuito está o livro de actas da sessão do Haut Conseil de la Francophonie em 2004, presidido por Boutros-Ghali (um dos participantes foi Mário Soares).
Tendências? Impossível enunciá-las; toda a edição francófona está representada. Sartre, no centenário, surge em várias prateleiras. Sobre ele, só de Annie Cohen-Solal vejo três livros (dois recentes). Dos estrangeiros, Eco, mesmo sem ter ido dar autógrafos este ano, faz-se notar sobretudo pela tradução do seu último e sui generis romance, que vai sair em português. O stand dos romances de Dan Brown (o primeiro, cronologicamente, é promovido como se fosse mais recente, o que não acontece só em França) é um entre inúmeros. Mais interessante é notar o êxito de um exigente trabalho científico e jornalístico, o livro Code Da Vinci: l'Enquête (R. Laffont, 19€), de Marie-France Etchegoin (de «Le Nouvel Observateur») e Frédéric Lenoir (de «Le Monde des Réligions»). Portugal teve participação discreta, com o colóquio de jovens escritores já noticiado no «Actual» e a homenagem a Sophia em que Inês de Medeiros disse poemas em duas línguas e os editores Joaquim Vital e Michel Chandeigne fizeram intervenções interessantes; mas faltou lá um professor de literatura ou um crítico literário (e alguns iriam estar em Paris para uma sessão mal divulgada no Centre Culturel Portugais da Gulbenkian). Registe-se, porém, o aspecto melhorado do stand português (IPLB-IC), embora os postais com poemas de Sophia não me pareçam esteticamente ideais.
Mas sobre tudo isso imperou a presença russa, que não é nova na edição francesa há muitas décadas. A novidade foi a visita de uns 40 escritores, quase todos ignorados na Europa ocidental. Não cabem numa chaveta; a ficção sobre o soldado que volta destruído da Tchetchénia e se mete na vodka ou em negócios escusos é uma caricatura. Os presentes (ou o ausente Viktor Pelevine) mostraram bem as suas diferenças, alguns a sua vivacidade, e quase todos uma relação estreita com tradições literárias europeias, clássicas e contemporâneas. Os russos falaram de literatura, de política, do dia-a-dia; noutros colóquios, franceses e russos abordaram as relações da Rússia e da URSS com a França e o resto do mundo; entre os convidados havia nomes como Stéphane Courtois e Nicholas Werth. À margem, alguns stands exibiram obras sobre a Tchetchénia e a Ucrânia. O Salon du Livre foi tudo isto e muito mais, que não cabe em duas páginas, mas que, para além do acontecimento jornalístico, dará assunto para outros comentários, pois ficam os livros, as revistas e o eco das palavras neste encontro de culturas e concentrado de informações.